COMO EU VIM PARAR AQUI?

Acontecem problemas nas nossas vidas. Muitos. E diante de muitos deles, nos perguntamos: Por que isso aconteceu comigo? Mas a maioria das vezes, fazemos isso retoricamente. Pulamos imediatamente para a parte que pensa que não merece isso.

É verdade, não merecemos a maioria das coisas ruins que acontecem conosco. E, a maioria delas, nos acontece não porque Deus quis, ou porque somos malvados e estamos sendo punidos, nem mesmo eu acredito, por um karma do passado. A maioria que acontece, acontece porque fazemos muitas coisas pra que elas aconteçam.

Normalmente não pensamos em algo super simples, muito simples: Isso me faz bem? Está bom aqui? Essa pessoa, esse trabalho, essa roupa, esse curso, essa empresa é confortável pra mim? Me faz feliz? Me faz crescer? Me deixa um resultado positivo? Tem a ver com o que acredito? Em verdade, o que é mesmo que eu realmente quero pra mim e pra minha vida?

Muitas e muitas vezes nos colocamos em situações que não nos fazem realmente bem, inclusive algumas aparentemente prazerosas, como festas que nem queremos ir, e vamos para cumprir a um “dever”. E nos colocamos pagando o tempo todo na vida, como se estivéssemos em dívida com alguém ou alguma coisa. Estamos mesmo? Ou, pensamos que estamos?

Não que tudo tenha que ser ou parecer perfeito o tempo todo, que nunca teremos que enfrentar situações difíceis, mas muitas e muitas dessas situações somos nós mesmos que criamos ao não realmente perceber e sentir o que nos faz bem. O que nos faz sentir alívio, o que torna fácil a respiração. O que dá prazer. O que nos faz feliz!

O que quero dizer é que a gente escolhe não se sentir bem. E isso é, no mínimo, triste. A gente escolhe abrir mão de si mesmo, não cuidar das nossas necessidades, não buscar a alegria. Só pra cumprir um protocolozinho besta. E aí, criamos nossos próprios problemas, arranjamos nossa infelicidade.

Eu tenho procurado o que me faz respirar aliviada, mesmo que seja imperfeito. Que seja ao menos redondo!

“Não se alcança a iluminação fantasiando sobre a luz, se não tornando consciente a escuridão. O que não se torna consciente se manifesta em nossas vidas como destino. Não há luz sem sombra, nem totalidade psíquica isenta de imperfeições. Para que seja redonda, a vida não exige que sejamos perfeitos, mas sim, completos” (Carl Gustav Jung)

RESPIRA QUE É AMOR

Sabe quando sua namorada insiste pra te ver mesmo sabendo o tanto de coisa que você tem pra fazer naquele dia? Quando sua irmã briga porque você não a convidou pra sair? Quando o marido reclama da sua saia curta ou que você vai, DE NOVO, trabalhar até mais tarde? Então… Respira que é amor.

Quando uma pessoa se afasta porque se sentiu excluída da sua vida, quando o filho insiste em interromper por mais de 10 vezes o filme que você está assistindo, ou qualquer coisa importante que nós sempre estamos fazendo… Quando um amigo, que tem coragem de te xingar, te passa um sermão porque você está mesmo fazendo uma coisa muito errada? Então… Respira que é amor!

Quando alguém se sente abandonado, chateado, magoado, entristecido por alguma coisa que você fez… É amor também!

É um amor meio louquinho, sem muita razoabilidade, às vezes um pouco bravo, desligado do prazer que é sentir o coração cheio, meio misturado com carência, mas é amor. Respira!

Até quando a gente quebra um prato de ciúme, grita de saudade, reclama da falta… É amor que a gente não está é sabendo expressar direito. Lidar com a frustração de que nem tudo vai ser do jeitinho que a gente quer, até porque tem a vontade do outro envolvida aí também! Mas vale a pena respirar, porque é mesmo amor!

E vale a pena olhar pra isso sem brigar, com carinho que quem compreende que é amor, mas está difícil demais de suportar a confusão que se causa pra sentir isso que devia ser o mais usual e natural dos sentimentos, mas que é o mais difícil, o que mais levanta as nossas fraquezas, os nossos medos, as nossas inseguranças. É, respira, pois é assim o amor.

Ele vem com o êxtase, com a alegria, ele é o mais brilhante que pode haver no coração, e, talvez por isso, nos leve a ver tudo o que tem de escuro em nossa personalidade. Tudo o que é difícil, dolorido e truncado e frágil aparece, quando há amor.

“Pois, da mesma forma que o amor vos coroa, assim ele vos crucifica.
E da mesma forma que contribui para vosso crescimento, trabalha para vossa poda;
E da mesma forma que alcança vossa altura
E acaricia vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol,
Assim também desce até vossas raízes,
E as sacode no seu apego à terra.” (Khalil Gibran – trecho do livro “O Profeta”)

E a gente reage a isso. E acaba machucando os seres amados com isso. E eu realmente, geralmente, não sei o que fazer com isso. A única coisa que me vem, sempre, é… Respira! Que é amor! Mesmo que não o compreenda muito bem neste momento.

O grito

Nova forma de expressar

O grito

Canção de ninar

Nova forma de cuidar

Acalento

O grito o grito o grito

Canção de ninar

Nascimento

Auto-cuidado

O grito

Nova forma de expressar

O grito

NananananananananananananananananananaNÃAAAAAAAAAOOOOOOOOO!

Shiiiiiiii….

Ternamente

Estou comigo

Muita confusão lá fora

Mas estou comigo

Tenho amor por mim

Força

Eu estou comigo

Tenho amor por mim

Muita confusão lá fora

Tenho força e estou comigo

Tenho amor por mim. Esta é a força. Agora posso rir. Agora posso ir. Agora posso encontrar.

Amo-me-em-ti

Ternamente

Diechamadoleta

Brincar de gente

Os olhos

O sonho

O conto

O desejo

O querer

O largar

O brigar

O machucar

O odiar

O errar

O dançar

O olhar o olhar o olhar

O chamar

O apito

O escrever

O começar a fechar

O deixar o largar

O abandonar

O doer

O chamado o grito o eco

O igual o igual o igual

O doer

O olhar o olhar o olhar

O medo o feio o colorido

O lindo

O só em só de só só só só só só só só só só só só só só só

AGARRAR

MACHUCAR

SABER

NÃO ESCOLHER

CAIR CAIR CAIR CAIR CAIR CAIR CAIR CAIR CAIR CAIR CAIR

Guardar…

Amar…

Transformar…

O mar…

O medo de Amar

A verdade é que cada vez que chego muito perto de alguém e mostro meu coração, fico apavorada. Com medo de não ser acolhida, de não ser bem recebida, de ser rejeitada.

A verdade é que cada vez que imagino que não vou ser amada de volta, fico ressentida, muito assustada… E aí, começo a tentar controlar, ganhar, manipular… E aí, me afasto de mim…

A verdade é que é muito difícil pra mim confiar. Confiar em mim. Talvez porque ache que não mereça ainda. Que preciso fazer alguma coisa pra conseguir, pra ser digna de receber. Então fico tentando consertar o outro, olhando pro defeito do outro, pra fugir da minha própria incapacidade, da minha própria inabilidade, da minha própria fragilidade.

E o pior é que quando tento controlar e manipular, pra ter a ilusão da garantia do amor, sei que não estou eu mesmo sendo querida. Por mim… Mas pelo que faço ou pareço ser. E entro em um vazio profundo, uma dor tão doída…

E aumenta o ressentimento. E me sinto magoada.

A verdade é que me perco de mim quando desejo o amor. É que não sei o que fazer, ou como fazer. Quando o melhor é não fazer nada. É contemplar, é parar, é observar. Até pra ver o que o outro quer. Até pra ver o outro.

É prender o pássaro na gaiola. É ver suas asas ali, mas impedi-lo de voar.

Eu tenho vontade sim, de pular no abismo dos meus sentimentos. Mas me falta coragem. Então fico olhando pro abismo, daqui, da minha vidinha amareladamente perfeita.

E, de verdade, isso não tem nada a ver com ninguém, mas comigo. Solitariamente. Com a solidão gigante que é não estar tão perto de mim, não estar tão de bem comigo. Com o medo de assumir o que realmente quero fazer, de expor completamente a minha verdade. O medo de ficar pequena demais diante de alguém, com a vontade de estar segura demais para dar o próximo passo.

A verdade é que tenho Eu, medo de amar.

“O medo de amar é o medo de Ser Livre”

Porque se eu amo, simplesmente amo, sem querer nada, sem pensar em nada, sem controlar nada, mostrando e fazendo o que quero, sendo o que sou, me assumo inteira. Mais simples, direto, honesto, arriscado sim, mas menos complicado e mais feliz.

 

CRISÁLIDA

Me sinto em uma crisálida. Não vejo nada e escuto sons abafados… E não sei ainda a borboleta que vai sair.

Esses momentos em que está tudo em movimento e a gente só consegue, ou pode, ficar parada. Em que o caos se instala. Um terremoto te atinge. Nossas estruturas estão abaladas. O conforto acaba e tudo começa a ruir. Não há esperança ou se consegue ter expectativa. Vislumbre algum do horizonte se manifesta. É tudo neblina nebulosa.

Não se respira. Avida para.Melhor, dá vontade de parar com a vida e voltar, mas agora já foi. É impossível. Dá vontade de por o dedo na cara do destino e brigar. E perguntar: Qual é a graça? O que você quer de mim? Eu só queria o céu estrelado… Mas as estrelas estão longe demais para serem alcançadas…

Eu que tinha tudo planejado, estava tudo certo, anotado na agenda. Vou ser feliz assim e assado. Check! Minha vida estava linda e perfumada e sob controle. Eu me sentia segura, mesmo que não absurdamente feliz. Mas quem é absurdamente feliz? Alguém? Alguém? Ninguém, não é?

Que ideia de girico foi essa de colocar em meu coração esse comichão esquisito que quer mudar tudo? De novo? Já não estava bom assim? Raiva do destino. Raiva de querer, de não saber, de ter que esperar. De não poder. De não assumir o meu próprio poder. De me permitir me perder.

O único movimento, sensato ou não, é parar. É entregar. É não fazer. É aceitar. Devagar. De vagar. Divagar. Passo por passo. Onda por onda. Sem pular nenhuma. Olhando e olhando e olhando pra ver de novo no que dá. Mas está escuro demais pra ver. Longe demais pra visão ser clara. Estranho demais pra compreender.

E me sinto sufocada. Por mim mesma.

Mas aceito pelo menos o que aprendo. E já aprendi que não há como brigar com o que é maior do que eu. Então, mesmo indignada, eu aceito. Eu digo sim, venha o que vier. Se tudo der errado, e dar errado é só as coisas não saírem como o imaginado, eu vou aprender. Não é pra isso que a gente vem aqui? Pra aprender? Então, eu posso ter paciência. Pelo menos um pouquinho… Não quero mais brigar com o destino, quero agradecer…

Tomara que a borboleta seja azul brilhante – gigante!