Melhor olhar pra dentro

A gente é assim, não dá conta da própria dor e fica jogando nos outros, no mundo. A gente se sente maltratado, rejeitado, injustiçado, fica magoado e quer, de todas as formas, achar alguém ou alguma coisa pra culpar pelo que estamos sentindo. Porque queremos, de qualquer jeito, parar de sentir isso.

Então a gente joga pra fora. No mundo, nas pessoas que estão à nossa volta, às vezes nos que mais amamos, aquele sentimento que queremos excluir de nós. E me parece que o que cria esses sentimentos negativos em relação à vida e aos que vivem ao nosso lado é a sensação de não sermos amados. Essa sensação que está em nós e que os fatos do cotidiano insistem em nos lembrar quase o tempo todo. E que as pessoas com quem convivemos insistem em ativar em nós. E fazem isso, provavelmente, porque também se sentem assim.

Não estou defendendo aqui a submissão. Mas a aceitação de nossa condição humana, a compaixão por nós mesmos. E a auto-responsabilização. Estou dizendo da necessidade que temos todos os dias de fugir de nós mesmos. De não enfrentar como nos sentimos. De continuar nos machucando.  E aos outros.

A gente nunca vai conseguir, na verdade, fugir de nós mesmos. Não adianta tentar. Não adianta esparramar a nossa insatisfação na vida. Estamos fadados a nos suportar.  Melhor olhar pra dentro. Por mais que encontremos milhões de culpados e justificativas para o que nos acontece, para o que sentimos. Melhor olhar pra dentro. A culpa não é de ninguém. Melhor olhar pra dentro. A responsabilidade é nossa mesmo. Melhor olhar pra isso.

Olhar e ver que nem tudo o que nos acontece é pra nos machucar. Olhar e ver que nem todas as vezes que me sinto injustiçado, foi alguém que causou isso. Muitas vezes, creio eu que a maioria delas, fui eu mesmo quem criei. E passar a agir, não reagir. Se precisar, podemos nos defender, falar sobre o que está acontecendo, que não gostamos disso ou daquilo outro. Mas não culpar. Culpar não resolve nada. Culpar é dar poder ao outro, ao mundo, sobre mim.

Imagine que estou triste porque você não me convidou pra festa, porque promoveu alguém primeiro que eu, porque falou que eu sou feia, porque não respondeu uma mensagem, porque não me deu atenção suficiente, porque não me ama… Posso facilmente culpar você pela minha tristeza. Posso dar a você o poder sobre a minha felicidade.

Ou posso cuidar melhor de mim. Ou posso olhar pra dentro de mim e ver de onde vem isso. Essa dor, essa tristeza e decidir que o responsável pela minha vida sou eu mesmo. Sou eu mesmo quem tenho que me fazer feliz, sou eu que tenho que procurar os caminhos e as formas de encher o meu coração de alegria. E, ao invés de seguir nos suportanto, seguimos caminhando e cantando, nos amando.

Na minha vida está faltando ele.

“Naquela mesa está faltando ele, e a saudade dele, está doendo em mim…” Está faltando ele na mesa, no grito do gol rubro negro, nos palpites do almoço de domingo, nas longas conversas sobre a vida, no incentivo à poesia… Está faltando ele abrir a porta, estão faltando os conselhos dele, a preocupação com nossa saúde, o carinho, as broncas, as balinhas que chegavam do nada. Falta alguém pra me falar como é lindo o modelo novo daquele carro…

Está faltando ele nos passeios de bicicleta, está faltando ele conhecer os meus filhos, minha casa, meu cachorro novo, o orgulho dele pelas conquistas novas da minha vida. Está faltando a opinião dele sobre gatos. Falta o telefone tocar e ser ele me convidando pra jantar em algum lugar, ele chamar pra eu ver o que está passando na TV, as roupas dele no armário, os abraços, as risadas sarcásticas.

Falta aquela segurança, sabe, de saber que eu sempre, em qualquer situação, tenho com quem contar. Falta brigar, discordar, discutir. Até isso falta, eu quero ouvir o que ele tem pra me falar. Mesmo que eu não fosse gostar. Falta ele implicar, reclamar, elogiar. Falta a verdade dele na minha vida. O incentivo dele pra qualquer coisa que eu vá fazer… Falta a torcida enorme pra que eu seja feliz. Pra que eu faça o que for, mas que eu seja feliz…

Falta o cheiro dele pela casa, o chinelo do lado da cama, o barulho dos passos dele chegando, a voz dele. Eu sinto falta da voz dele… A alegria, falta um pedaço da alegria de estar todo mundo junto, sempre. Porque desde que meu pai se foi, todas as vezes que nos reunimos em família, fica faltando um pedaço da alegria de estarmos todos juntos.

E está faltando ele aqui, pra comemorar o dia dos pais comigo. Falta comprar o presente pra ele. Falta não saber o que comprar, ter medo dele não gostar. Falta a possibilidade de querer agradar. Está faltando poder matar a saudade.

Tem essa cadeira vazia no meu coração. Na minha vida está faltando ele. E essa dor é tão doída em mim.

E, eu olhando pra tudo isso que falta, sem conseguir ver nada direito, de tanto lembrar e chorar, penso também no tanto que tive. E isso me conforta…  No tanto que eu amo meu pai, no tanto que ele me amou. Essa saudade, essa falta, só está aqui, porque meu coração já foi cheio.

Lânguido amor

Tem uma coisa sobre os relacionamentos que eu acho engraçado. Nos meus também. É a gente o tempo todo tentando mudar o outro. A gente o tempo todo querendo que nosso companheiro seja isso ou aquilo diferente. Mas só um pouquinho diferente… Só um tiquinho tão tico que não vai fazer diferença…

A gente quer mudar o guarda roupa, o corte de cabelo, diminuir o tempo da pessoa no chuveiro! (esse absurdo não conto quem fui!) A gente quer que o outro trabalhe mais, trabalhe menos, vá para a faculdade, coma salada, faça dieta, guarde o detergente embaixo da pia, faça sexo pelo menos 3 vezes por semana, já que essa é a média nacional.

E sabe por que eu acho engraçado? Porque a gente está querendo mudar a pessoa pela qual nos apaixonamos! Tipo um paradoxo gigante! Se nos apaixonamos pela pessoa, quer dizer que algo em nós acha que ela é ideal pra nós, que nos sentimos confortáveis diante dela, que temos prazer com ela. Aí, depois de um tempo juntos, a gente quer que aquele mesmo ser pelo qual nos apaixonamos, seja outro. Pra que? Não faz o MENOR sentido! Depois as pessoas querem saber por que o tesão nos relacionamentos diminui com o tempo. Taí uma resposta plausível: a gente muda o que a gente adora e depois quer continuar adorando o que não é mais aquilo.

E a gente muda sem pensar nas consequências. Vai que mudar uma característica provoca a mudança de várias outras. Vai que eu me apaixonei pela tranquilidade do meu namorido, por uma certa languidez, um ar meio distante… Quando encho o saco dele pra tomar banho mais rápido, como num castelo de cartas, uma característica empurra a outra e ele acaba se tornando um animador de torcida? Como vou continuar com ele? E… Como ele vai continuar com uma pessoa tão chata quanto eu?

É comum isso, muito humano, e sinto realmente que muitas vezes que tentamos mudar nosso parceiro, estamos fazendo por amor, pelo bem dele – ou pelo nosso… Mas que não é inteligente, não é. E até acho meio infantil… E como querer desenhar por cima daquele ogro (a) pelo qual nos apaixonamos, o príncipe encantado. É como querer que os contos de fada existam na nossa vida, que as pessoas com quem estamos nos relacionando sejam meros personagens da historinha linda e perfeita que inventamos na nossa cabeça, e, à qual, atribuímos nossa felicidade. Tipo: só vou ser feliz quando isso for perfeito assim.

Não! Quanta bobeira! A gente já é feliz com o sapo! No brejo! Não é só o perfeito que nos faz feliz, inclusive, às vezes, o perfeito demais é chato!

Quando temos tantas expectativas a respeito de alguém, quando queremos que esse alguém se torne outra pessoa, perdemos o contato com ela. Pois não a vemos. Estamos olhando para o que gostaríamos que fosse. Para o que gostaríamos de ter. Não para o SER que está ao nosso lado. Não para o ser pelo qual nos apaixonamos.

Acho  que, no amor, precisamos aprender a cultivar a liberdade.

HOMEOPATIA EMOCIONAL

Negamos nossos sentimentos… O dia inteiro. Entendemos, não sei por que exatamente em algum momento da história, que existem sentimentos negativos e positivos. Como se classificássemos as cores em boas e más:” – Olha, escolhe o azul pra pintar a sua casa, pois o vermelho é uma cor muito malvada… “ Vermelho é só vermelho, azul é só azul! Alegria, tristeza, raiva, amor, são só sentimentos. Não estão aí para temê-los, ou esconde-los, ou nos envergonharmos deles, mas para nos indicar algo. Sentimentos são como a música que o coração toca para sinalizar o caminho que precisamos seguir, que queremos seguir. Pra sinalizar quem nós somos.

E, pior, agimos como se fosse realmente possível escolher como nos sentimos. Acordamos tristes e passamos o dia a jogar confete nas pessoas à nossa volta. Guardamos a tristeza em uma caixinha preta bem no fundo do nosso coração e seguimos fingindo que nada está acontecendo. Até o dia em que essa caixinha enche, estoura, e, aí, não conseguimos mais controlar nada… Então não me admira a quantidade de gente deprimida… A quantidade de crimes, a ira das pessoas.

Ninguém fala o que precisa ou como se sente e fica fingindo o tempo todo que está tudo bem. Eu me pergunto, para que? Pra mostrar que sou a pessoa mais fantástica do mundo e pra todo mundo gostar de mim, eu me desrespeito o tempo todo? Eu não acolho como me sinto? Eu passo a vida expressando algo que não sou? Ou não estou? Pois os sentimentos são temporários. E, cada um tem a sua função.  Eles indicam o que gosto, o que não gosto, se estou me sentindo invadido, ou querendo mais.

A raiva, por exemplo, serve para nos proteger. Pra colocar limites, pra expressar um descontentamento. Se usamos a raiva com atenção, e, proporcionalmente ao fato que está acontecendo, temos uma grande aliada da felicidade. Pois ninguém é feliz sendo invadido e abusado e se sentindo desvalorizado o tempo todo.

Já a tristeza, pra mim, tem uma função de honrar o que é importante pra nós. De nos mostrar onde está a nossa dor, do que precisamos abrir mão, nos ensina a dar valor ao essencial, muitas vezes depois que já perdemos…

E, quando não assumimos nossos sentimentos, não aprendemos a lidar com eles. Se guardamos toda raiva que sentimos, como vamos saber a medida quando nos irritarmos? Será que usaremos na medida certa? Creio que não. Creio que qualquer fagulha explodirá o barril inteiro.

Penso que reprimir como nos sentimos não nos ajuda a sermos pessoas melhores, vejo isso como uma ilusão da geração auto-ajuda. Acho que o que realmente nos ajuda é assumir quem somos e nos respeitar, assumir como estamos agora e deixar passar. Ser verdadeiro nem que seja só conosco mesmo. Acredito que doses homeopáticas de sentimentos, demonstrados de acordo com cada momento da vida, podem nos deixar, e ao nosso redor, melhor, mais inteiros, com auto-estima verdadeira, pois, de onde vejo, quando nos mostramos, estamos nos valorizando.

Claro que se persistirem os sentimentos que causam desconforto, um médico deverá ser consultado.

METAS

Chegamos ao meio do ano. 17 de julho e eu não emagreci, o Brasil não ganhou a copa, meu armário não está arrumado, não aumentei a renda em 30%, quanto mais em 50%. Não viajei pra Dinamarca, não viajei pra Milho Verde ainda… Não consigo cumprir todos os itens da agenda semanal, não troquei o carro pelo vermelhinho dos meus sonhos, até porque não tinha dinheiro. Não parei de brigar com o meu marido, não consigo dar conta de corrigir, todos os dias, todas as tarefas dos meus filhos, nem de ligar no aniversário de todos os meus amigos. Creio que não liguei para nenhum esse ano. Não consegui nada do eu queria!

Já chegamos na metade do ano… E... Eu NÃO bati nenhuma das minhas metas. Nenhuma mesmo!E graças a Deus por isso! 
Quanto mais amadureço mais aprendo a fazer planos e não me torturar quando nada acontece! Ter fé e ser entregue é saber que a vida é como uma montanha russa…
É sábio e muito digno da felicidade aquele que aprende a se divertir com os altos e baixos… Cultivando aquele friozinho na barriga, das expectativas enquanto estamos subindo, aproveitando a vista e consciente de que vai descer!
Mas quando desce, há muita diversão, quando simplesmente há entrega à impotência da nossa vontade, frente ao que a nossa fé nos reserva.
Sou tão grata por tudo de maravilhoso que Deus tem permitido em minha vida! E, se perguntarem se os planos estão se concretizando, eu digo que nem eu pensaria tantas coisas boas para mim!” (Denise Gabriela Rodrigues)

Porque decidi que agora ao invés de querer e me esforçar tanto pra conseguir o que penso que quero, vou aproveitar o gosto, o gostoso, de cada um dos dias com a surpresa que tem dentro, vou aproveitar cada momento, do jeito que ele vier e vou estar comigo, do meu jeitinho santo ou louco de agora, sem querer me mudar. Vou aprendendo, desfrutando, fazendo o meu melhor e me reestabelecendo das intempéries da vida. Dessa vida louca e deliciosa vida.

Deixei as pretensões de lado e só sigo o que se apresenta. Só olho pro que está logo ali na frente e me desintegro no presente. Faço parte. Não que não tenha sonhos, claro que tenho, não que fique parada esperando a vida passar, não. Só não sou tão rígida, tão exigente com as ideias  que tenho a respeito das coisas. Ideias são só ideias, pensamentos não existem. Prefiro experimentar a realidade que muitas vezes não é o que planejei. Mas é muito mais gostosa, ou proveitosa, mesmo que amarga. Assim, tenho aprendido a ser feliz, e triste quando a situação me abala, e firme, quando é o que me exigem as coisas da vida. Tenho cuidado melhor de mim, tenho sentido mais amor por mim…

“E que este ano – resto dele –  traga tudo o que seja bom pra mim, independente do que eu queira” (Denise Gabriela Rodrigues)

SABER AMAR E SABER DEIXAR ALGUÉM TE AMAR

Saber amar… E saber deixar alguém te amar… Saber beijar, ser abraçado, saber falar e ouvir, saber o que quer, saber dizer o que precisa, se deixar cuidar, fazer o necessário pra que a vida seja boa. Saber estar a toa com alguém ao lado, ser livre com alguém ao lado. Ter prazer consigo mesmo, é ter prazer com o alguém ao lado.

Se permitir ser você mesmo com alguém ao lado, cuidar de si mesmo, mesmo com alguém ao lado. Ser livre e grudado. Ter coragem de estar inteiro e com você quando se está com alguém ao lado, compartilhando a vida. Saber dizer não, eu quero, eu detesto, saber pedir o que necessito, sem exigir. Se respeitar e respeitar o espaço do outro.

Ter coragem de dormir melado, ou pelado, de cantar desafinado, de acordar com a boca fedendo, de mostrar suas loucuras, seus ciúmes, suas doçuras, suas impurezas e brancuras, pra esse alguém, ao nosso lado. Liberdade de errar, vontade de contar, às vezes de esgoelar… Mas não se mutilar por ninguém, não criar expectativas a respeito de ninguém. Não matar o seu amor, não se matar pelo seu amor.

Limites são necessários, carinho é necessário, atenção, dedicação, cheiro, informação, coração, comprometimento, individualidade, desejo, sensações. Gostar de estar junto, é indispensável.

Às vezes a gente inventa alguém na nossa cabeça pra se relacionar. Tantas e tamanhas são as expectativas que temos a respeito da pessoa que está conosco e, pasmem, nos frustramos quando essas ideias loucas e irreais que criamos dentro das nossas cabecinhas criativas não acontecem. E, pior! Criamos uma pessoa que não somos pra estar ao lado de alguém, tipo, cortamos o nosso braço, deixamos de fazer o que gostamos, fazemos um monte de coisas que não queremos, pra tentar ficar com alguém. Damos tantas vezes o melhor de nós sem receber quase nada em troca… Fazemos de tudo pra não sermos abandonados.

E isso não tem nada a ver com ninguém. Essa sensação de estarmos sendo abandonados não tem nada a ver com ninguém. Tem a ver conosco mesmo, com o nosso medo, nossa falta de confiança, com não acreditarmos realmente que merecemos ser amados. Porque às vezes, a gente acha, só as vezes, que devíamos ser perfeitos ou lindos ou os mais bondosos ou os mais eficientes, ou OS CARAS, pra merecermos ser amados. Mas a verdade, é que somos amados por nada. O amor de verdade acontece no vazio, quando estamos parados, sendo só a gente mesmo, sem tentar nada, sem olhar pra fora, sem esforço nenhum. O amor acontece do nada, por nada, e não tem explicação. Até porque, não foi feito pra ser explicado, mas vivido e desfrutado.

EM DIA DE JOGO

Meu cunhado ajoelhado no chão na hora dos pênaltis, xingando todos os palavrões do mundo! Meu filho, de 8 anos, começa a xingar também. Eu, claro, mando ele parar.

- Mas o meu tio está xingando, mãe! Se ele pode xingar, eu também posso.

E o tio mais legal responde:

- Pode! Em dia de jogo pode. Mas só em dia de jogo.

Eu engoli a vontade de dizer pra ele ficar sem trabalhar o resto da semana pra vir educar meu filho, porque concordei. Em dia de jogo do Brasil, a gente pode até xingar!

A gente grita, a gente berra, a gente corre, a gente dança, a gente reza, a gente vibra, a gente junta, a gente briga, a gente come, a gente bebe, a gente enfeita e se descabela.

A gente pinta a cara, a unha, a rua com as cores da bandeira, a gente está lá, na cara do gol, a gente agarra junto os três pênaltis, a gente quer matar o goleiro do México, a gente quer compartilhar nossa alegria com todos, até com quem está na Dinamarca.

A gente, infelizmente, diz impropérios horríveis a respeito da mãe daquele juiz careca ladrão. A gente engole o choro quando ouve todo mundo cantando junto o hino nacional… E, tem gente, como eu, que se derrete em lágrimas mesmo…  A gente se sente parte.

Naquele momento, naquelas duas horas, nos estamos todos juntos, fazendo a mesma coisa, olhando pro mesmo lugar. Nós somos uma nação, a NOSSA nação verde, amarela e azul e branca. Nós lembramos que somos todos filhos da mesma terra generosa, calorosa e linda que só ela!

A gente é um! E naquelas intermináveis duas horas, naqueles pênaltis apavorantes, a gente sente essa unidade suar frio em todos os poros. A gente entra no pé do Neymar, pula com o Julio, fica zangado junto com o Filipão. A gente Ama junto a mesma camisa, as mesmas cores, incentiva os mesmos meninos.

E, me desculpem os mais intelectualizados, preocupados (chatos) do que eu, mas ninguém me tira isso! Nenhuma discussão política do mundo me tira esse gosto de fazer parte do meu Brasil!

Golaaaço! Beijaaaaço!

Fo-fo-fo-fo-fo-fo… Foi ele, o craaaque da camisa número 8!
Ele entrou pela direita, chutou pela esquerda e… Na traaaaave do meu coração!
Mas não desistiu… Driblou o primeiro pela esquerda, o segundo pela direita, derruuuuubou o terceiro! E, na cara do gol, arriscou… Olhou nos meus olBrasil coracao heartlhos e… Beijaaaaaaço! Apaixonante!, Vibrante! Gostoso! Redondinho!!!
Um beijo verde-amarelo, no dia da Independencia do Brasil, 07 de setembro, há 17 anos atrás! Com banda tocando em baixo da janela e tudo.
Não foi fácil, não está sendo ainda, mas a torcida que já era grande aumentou! Doi membros lindos, queridos, amados e maravilhosos! Que valem por dois fãs clubes inteiros!
A cada partida é um resultado. Claro! Assim é a vida! A cada dia é um desafio… Precisamos treinar, focar, nos esforçar, reafirmar nossos votos de amor diante do mundo e querer vencer as derrotas momentaneas.
Pois quando se ama um time, quando realmente se dedica a uma relação, não importa se perdemos uma partida ou outra. O que importa é vestir a camisa, é se comprometer, é estar ali em todos os momentos, na alegria ou na tristeza, no erro ou no acerto, na dor e no desfrute, o que importa é focar no amor, no algo maior que nos move juntos por esse campeonato.
Precisa querer resolver os problemas que surgem entre ataque e defesa Trabalhar os ego, as vontades individuais, pelo bem da relação, pra, mesmo quando a bola for pra fora, ter sabedoria e simplicidade pra saber que um time é um time, uma bandeira é uma bandeira, amor, é amor! Que precisa brigar pelo que se ama, pelo coração! Com garra, força, vontade de vencer, mesmo que aquela partida já esteja perdida.
Precisamos encontrar o melhor em nós a cada momentinho que decidimos ficar juntos. Lembrar o porque começamos a namorar, há taaanto tempo atrás… E com essa força, enfrentar juntos os percalços da vida, o juiz ladrão, a falta não marcada, o penalti roubado. Comemorar com todo coração, cada gol que nosso amor fizer!
Pra no final, no balanço final, saber que ganhamos de goleaaaaada!

E, só pra lembrar porque é tão, tão bom:
- Mãe, o que é sede da copa? É por que faltou água no dia do jogo, mãe?
Sem rir, sem rir, sem rir…
- Não filho, sede é onde a copa do mundo vai acontecer. Onde vão ser os jogos.
- Ah… Ainda bem… Porque ficar correndo sem beber água é muito ruim, né?

Te amo, amor da minha vida, e amo a vida cresceu e ainda cresce do nosso encontro!

Feliz dia dos namorados pra nós que comemoramos assistindo à Copa do Mundo! 

 

Vamos interpretar felicidade?

Filho mais novo de 8 aninhos cantando uma música da apresentação da escola. O mais velho, de 10, começa a brigar com ele, mandando-o o outro se calar. Pergunto o que é e ele responde:

- Mas mãe, ele está me irritando!

- Mas ele não tem que calar a boca porque você quer.

- Mas ele está me irritando. Então vou ficar bravo aqui, e vou brigar com ele sim.

- Não filho, ele não está te irritando. Você é que se sente irritado com ele. Com o que ele está fazendo.

Ele não concordou comigo. Continuou querendo bater no irmão, mas, a verdade é que ninguém é responsável pelo sentimento de ninguém. Uma pessoa não irrita a outra, a outra é que se permite irritar com o que a uma está fazendo.

Os nossos sentimentos são nossos, reações que nos permitimos ter diante do que as pessoas fazem da vida delas. A raiva, a tristeza, a alegria, o amor… São nossos. Nascem em nosso coração, de acordo com como interpretamos o que nos acontece. E, por serem nossos, por nascerem de nós, são responsabilidade nossa também. E, se responsabilizar por si mesmo, é ter poder sobre si mesmo.

Se eu viajo pra fazer um curso e meus filhos não se importam, posso interpretar que eles são bem resolvidos e nem ligam, o que me torna uma ótima mãe e me deixa muito feliz. Ou posso interpretar como desamor, o que me faz a pior mãe do mundo e me deixa arrasada!

Se meu marido trabalha demais, posso entender que ele não me dá importância e me sentir abandonada e triste, ou posso achar que ele é muito preocupado com o bem estar da família e me sentir a mais amada de todas as mulheres!

Se minha mãe fazia tudo pra mim quando criança, posso agradecer porque ela me deixou tempo pra estudar e brincar a vontade, ou posso brigar, porque ela não me ensinou a disciplina. Ou, o contrário, se meu pai me dava muitas obrigações, posso achar o máximo ter crescido independente, ou morrer de raiva por não ter sido cuidado como imaginei que deveria.

Uma dor profunda provocada por um fato da vida pode ser considerada por nós o fim da vida, nos levar a uma tristeza profunda, ou pode ser considerada um grande aprendizado… O meu filho mais velho pode estar entendendo que o irmão quer irritá-lo, ou poderia entrar na brincadeira e cantar junto!

Não é a realidade, é como interpretamos a realidade que determina como nos sentimos… E como nos sentimos diante da vida, é o que determina a nossa realidade. Parece estranho, mas escolhemos o tanto de beleza e alegria que há na vida que levamos.

Então vamos parar com essa brincadeira boba de julgar tudo que nos acontece e ficar felizinhos? Vamos tirar o melhor daquilo que acontece a nossa volta? Vamos entender que o mundo não se refere ao nosso umbigo o tempo todo e vamos viver o que é agora? E, vamos aproveitar pra nos divertir?

Basta olhar pra ver

Minha mãe ama cuidando das coisas pra gente, pra todo mundo. Nem senta na mesa com a gente, preocupada em nos ver bem e felizes. Esse é o jeito dela de amar. Meu avô amava nos dando presentes. Uma avó lembrando da nossa comida predileta, a outra, da bebida! Meu pai amava brincando e conversando. Meu amor ama fazendo play lists com minhas músicas preferidas, cozinhando pra mim, abraçando meus pesadelos. Meu filho maior ama filosofando, o menor, me agarrando!

Tenho um tio que ama zoando, outro ensinando o que é melhor fazer com a nossa vida. Uma amiga querida ama sendo muito generosa, outra ama acolhendo minhas idiossincrasias, outra ama brigando quando faço bagunça, outra rindo, outra só se cala e me aceita. Conheço quem ame sendo rígido, pra ensinar que a vida é dura. Quem ama com os olhos, quem ama cozinhando e quem ama comendo. Tem quem ame se doando, tem quem ame recebendo.

As flores amam se abrindo aos beija-flores e às borboletas, os cães amam protegendo, os gatos nos esfregando. Tem também as pessoas engraçadas que amam brigando, gritando e xingando.

Eu acho que amo ouvindo, dando atenção. E essa minha forma de amar não engloba tudo que todas as outras pessoas esperam de mim, eu sei. Pra quem é amado por mim, sempre vai parecer faltar. Mas também sei que toda maneira de amor vale a pena receber. Toda maneira de amor vale a pena amar. Vale olhar, vale procurar pra encontrar onde está.

O que não vale é ficar imaginando que não há amor porque o amor não veio do jeito que esperamos. O que não vale é se sentir carente e ficar tentando consertar os outros por não nos darem o que queremos, do jeito que queremos, na hora que queremos. O que não vale é não ser capaz de ver e reconhecer o outro em suas peculiaridades, é não receber o que está debaixo do nosso nariz e ainda ficar dizendo que não tem. O que não vale é ser ingrato. E, ainda, quantas e quantas vezes, se achar no direito de negar o melhor que se tem aos outros, como um direito adquirido por achar que não recebeu, não tem que devolver…

O que não vale, não vale mesmo, é se negar pra vida e achar que a culpa é dos outros. É ser priosioneiro da própria mente.

“Eu ri quando me disseram que um peixe dentro d’água tem sede”

Basta olhar pra ver.