Deusas do Amor

Mulheres não são homens com o sexo masculino extirpado, em busca da liberdade perdida, somos seres complexos, filhas de Vênus, com o coração a flor da pele, exposto em cada célula. Somos calorosas, envolventes, úmidas, e não estamos aqui pra competir com totem nenhum, pra tomar o lugar de ninguém.
Queremos um ombro largo onde possamos recostar antes de dormir, acho que isso é uma unanimidade entre nós. Queremos beijos compridos, olhos nos olhos. Podemos trabalhar em grandes cargos, ou não, mas todas gostamos de ser protegidas pelos guerreiros másculos que nos cercam, mesmo que eles insistam em cultivar qualquer barriguinha (ão).
Gostamos de ganhar flores, gostamos de nos enfeitar e pagamos caro por massagens que possam curar um pouco da carência que nós mesmas criamos ao nos declarar completamente independentes. Ninguém é completamente independente e isso não é um atributo feminino, é um atributo humano. Precisamos uns dos outros e gostamos da companhia sincera de um abraço querido.
Concordo com a revolução feminista, como uma sacudidela, pois estávamos confundindo tendências amorosas com submissão completa. Porque somos naturalmente cuidadoras, não significa que precisamos ficar fechadas em casa como posse de outrem. Não precisamos ficar trancadas na caixinha, impedidas de nos manifestar, só porque somos preciosas. Não podemos nos permitir abusos, claro. Mas queremos nos entregar… Nos derreter aos braços fortes, de um homem de verdade… Um homem capaz de nos deixar ser e de reconhecer todo amor que podemos florir em sua vida.

E covardes são os que nos impedem de nos expressar, com toda a nossa beleza, com toda a sensibilidade que podemos plantar no mundo deles. E nossa histeria está no medo dessa entrega, no medo da dor de sermos abusadas, de se aproveitarem de nosso carinho.
Assumir a fragilidade nos torna fortes, e capazes de cumprir a missão do toque de Moça, onde tudo que enconstamos fica tão doce quanto nosso mais verdadeiro olhar.

O que acontece é que não precisamos nos defender dessa forma. Chega de nos protegermos do que mais queremos. De afastar nossos desejos mais profundos pra nos adequarmos a uma realidade masculina, onde reina a competição. Mas esse é o reino deles, o de Marte, como já bem disseram. E tudo bem que sejam assim, é isso que nos falta e é essa a parte que precisamos que preencham por nós. Podemos simplesmente nos afastar dos que ainda não estão prontos para a maciez de que somos capazes. Ou em casos mais complicados, hoje, temos outros meios de nos defender.

Façamos agora, a revolução feminina. E nos rendamos aos nossos impulsos acolhedores, à companhia dos homens, ao amor que podemos expressar. Seremos todas Deusas do Amor caminhado pelo mundo,  nos expressando pela vida, nos doando para a humanidade. Presentearemos os homens com nossos dons, aceitaremos que somos diferentes deles, e receberemos o que têm de melhor para nos dar.

Sem tentar ser, ou destruir o outro sexo. Nem primeiro, nem segundo, só diverso.(Vamos incluir - mais um dilema em nosso repertório de habilidades naturais.)

Mamãe querida!

Eu te agradeço! Hoje, neste dia das mães, eu aproveito pra agradecer o leite quentinho de todas as manhãs, a disposição pra acordar tão cedo, pra cuidar tanto.

Agradeço a preocupação e a liberdade que soube dosar, o carinho e os limites, os mimos e castigos. A disponibilidade do colo, a vontade de que a minha vida fosse bem melhor, até que a sua própria história. Muito obrigada por abrir mão do vestido que queria pra me dar a boneca que sonhei, obrigada por todos os pratos da minha comida predileta que serviu. E que fez. Obrigada pela alegria ao me ver comendo, pelo tempo dedicado a me ver feliz. Isso me mostra que vale a pena!

Agradeço pela sua grande alma que me envolve sempre, mesmo à distância. Agradeço ao carinho, ao colinho, aos beijinhos de bom dia. Obrigada pelo gosto de doçura nos biscoitinhos de nata, pela torcida vigorosa e sincera. Por tantas vezes maior que a minha própria. Obrigada por minha vida.

Hoje, eu só agradeço ao grande e ótimo trabalho que fez ao me criar, ao me paparicar e ao corrigir cada um dos meus erros. Por me dar a vida e por me tornar um ser humano. Por me dar a consciência e consistência do que é melhor, do que é pior, por me levar à natação, me ensinar a fazer as unhas, por me mostrar como, e o quanto, devo ser digna.

Mesmo, quando por muitas e muitas vezes eu não quisesse te ouvir, eu não pudesse ainda compreender, eu pensasse que estava enganada.Mesmo quando eu briguei, reclamei, não ouvi os seus conselhos, você sempre esteve de braços abertos a mim, com o coração escancarado esperando que eu voltasse. Muito obrigada por me perdoar sempre, assim eu aprendo a compreender os outros.

Obrigada por passear de mãos dadas comigo pela vida, me mostrando o caminho e obrigada por soltar a minha mão, me empurrar pela minha própria estrada, por mais difícil que isso seja pra você, porque eu sei que é. Obrigada por ver minha insegurança para seguir e engolir a sua, só pra que eu pudesse ter mais coragem.

Muito, muito grata por ter me gerado, amamentado e nutrido o corpo e, principalmente a alma. Por ser tão boa, que muitos pensam até boba, me ensinou a compaixão, a olhar com empatia para a tragédia de cada um, a respeitar as escolhas dos que passam por mim.

Eu agradeço pelo orgulho que vejo nos seus olhos quando conto alguma conquista, até hoje. Agradeço a vontade de me melhorar, a dedicação e o esforço empenhado para que eu me tornasse gente, pra que eu te superasse!

Agradeço, por que através do seu coração, aprendi a ver o melhor das pessoas, através da sua força, eu aprendi a lutar pela vida, pelo que quero. Sua dedicação me ensina o esforço e me encoraja a seguir. Sua dor, que me rasga o peito, me faz crescer.

Muito grata pela roupa limpa, pela alimentação adequada, pelo cabelo penteado, pela verdade escancarada! A verdade com que sempre me tratou me torna honesta, sincera com o próprio coração, me deixa capaz de olhar nos olhos.

Obrigada por me defender no parquinho, por me dizer tantas vezes que pode ser melhor brincar sozinha. Por me colocar na cama com cobertinha, pelas orações que me protegem, “pela fé que me faz otimista demais!”

Grata, por acreditar nos sonhos que nem te contei ainda. Muito grata à sensibilidade, que me deu como herança.

Mãezinha, te amo! Você é a mulher mais linda da minha vida…

(e ela é linda mesmo, não é gente?)

 

Pinóquio

Um brinquedinho foi estracialhado.

Fui tentar descobrir quem era o culpado pela façanha e todos os dois filhotes, possíveis autores, disseram:

- Não, não fui eu.

Usei a técnica de tortura de entrar no quarto e perguntar, infinitamente, até que um dos dois criminosos confessassem.

Quando percebi no olhar de um deles que não havia sido ele, realmente, eu o libertei. Me virei com toda a energia para aquele que, aos 6 anos apenas, parecia ser o responsável, continuando o interrogatório.

- Foi você.

- Não!

- Então, quem foi?

- Não fui eu

- Foi você. Só você estava perto do brinquedo.

- Não fui eu.

- Foi sim!

Já sem nem ter certeza da razão de estarmos ali, exaustos e exaltados começamos os dois a gritar, irritados.

- NÃO FUI EU!

- FOI!

- NÃO FUI!

- FOI! Confessa!

Agora me explica onde é que eu queria chegar com isso… Tem vezes que nós, mães, perdemos completamente a compostura.

- NÃO FUI EU, MÃE!

- Foi filho, não precisa mentir, pode falar…

Tentando agora outra tática, mansa, a de ganhar a confiança do acusado. Mas não adiantou.

- Como é que você sabe que fui eu? Você não viu!

Parei meio que pensando no que ele dizia e, por alguns segundos, titubeei. Então, talvez se aproveitando de algum sinal de dúvida, falou com as mãozinhas na cintura, o narizinho empinado, e os olhos arregalados:

- Como é que você sabe que estou mentindo? Por acaso o meu nariz está crescendo? – apertando o próprio nariz.

Abaixei a cabeça pra não perder os poderes da moral materna e ri, dentro da gola da camisa.

Desisti do brinquedo… Percebi o papel ridículo a que me propunha. Abri a porta do quarto e, até hoje, não descobri o assassino do fantoche de dragão… Vai ver foi um ato de revolta do cachorro contra o gato. Mas valeu a pena! Cada história, cada erro, cada sorriso, valem a pena.

 

A doce maternidade

Engravidei. Fiz o exame de sangue só pra confirmar, porque quando fiz o xixi no palitinho, apareceram, imediatamente, um, dois, três, quatro, cinco risquinhos.

O maridão foi buscar o exame e me ligou, completa e absolutamente feliz do laboratório. Atendi enjoando em cima do salmão que grelhava pro almoço. Chorei, acho que por intuição. Mas, mesmo chorando e enjoando pensei… Deve ser bom ficar grávida, vou ser paparicada, poder dormir depois do almoço sem culpa nenhuma, comer tudo que gosto sem me preocupar demais com o peso, vou comprar um monte de roupas novas pra mim e pro bebê…

Doce ilusão… A verdade é que fiquei gorda… E chata. Literal e metaforicamente enjoada. Engordei 20 quilos, e até o cheiro do marido me dava náuseas. Não podia tomar café, coca ou andar de salto. Quando comia chocolate ou peixe, o bebê dava voltas e voltas em torno da minha bexiga, chutando. Era um zumbi, com a pressão em 9 por 6 durante o dia, e à noite, na hora de deitar, quem disse que eu conseguia descansar? Eu que sempre dormi de bruços, só podia deitar de lado. Isso quando o danadinho não resolvia fazer uma rave lá dentro… Não sei até hoje onde é que fica aquele mundo colorido e lindo das grávidas, o daqueles sites cheios de borboletinhas, florzinhas e daquelas mulheres lindas e felizes…

Mas tudo bem, pensava já meio conformada com os percalços. Quando o bebê sair, tudo volta ao normal. Volto a dormir, perco o peso e a auto-estima fica em seu lugar, não vou mais ficar chata, porque vou dormir a noite inteira, de bruços. Vai ser tudo perfeito! Eu com meu bebezinho… Meu maridinho…

E fui pra maternidade, e depois de horas e horas de dor, porque meu filho precisa nascer da forma mais natural possível, fiz uma cesariana, porque não tinha outro jeito. Ele saiu chorando. Chorou por causa da luz forte, do frio que sentiu, por causa de sua separação de mim. E eu o vi ali sozinho, indefeso e com medo, na mão de um homem que nunca viu antes, seu pai. E esse pai o trouxe até mim, chorando, e ao chegar bem perto falei, bem baixinho, pra não assustar mais:

- Meu amor, meu bebezinho querido, não chora, mamãe está aqui…

E ele calou. E eu o aconcheguei em meu peito. E ele reconheceu a minha voz. E meu peito se encheu. E ele mamou. E meu amor transbordou… E eu sabia que nada, nunca mais seria mesmo igual, nem eu.

E, naquele que foi o momento mais lindo da minha vida, chorei de novo, pois sabia que estava só começando…Pois nada voltaria ao normal, NUNCA!

Tive depressão pós-parto, stress pós-parto, tudo pós-parto. Continuei chata, gorda e, agora, fedorenta de leite materno. Bebês não dormem, não se encontra babá suficientemente boa para nossos filhos e você fica com vontade de matar qualquer um que carregue a criança no colo, e é isso que se chama instinto materno. E fiquei doida pra ele crescer, mas quando pegou um pezinho, agora, com 3 anos, querendo liberdade, se perde no shopping, na praia e na feira. E quando essa fase passa, vem a outra, em que ele está na escolinha aprendendo a ler e você chora de novo na formatura dos 6 anos, porque ele cresceu e saiu de dentro da sua barriga e já está deste tamanho e já sabe ler… E quando ele te pergunta o que é camisinha no supermercado, a gente se assusta e lembra do susto inicial da gravidez, quando ainda achava que um dia as coisas voltariam a ser calmas, mas não, as alegrias e tristezas e surpresas não param. O  amor e a dor não param nunca.

E vovó já tinha avisado: Ser mãe é padecer no paraíso. Ainda bem que é assim, pois é vida! E ainda bem que não me intimidei, e experimentei.

Feliz dia das mães pra mim, pra minha mãe querida e pra todas as mulheres que corajosamente escolheram esse caminho de se perder por esses pequenininhos que nos tomam a vida e, ainda assim, os amamos mais que qualquer outra coisa no mundo!

Sobre os pequenos e os pulos

Chegamos da escolinha e estava eu, tranquila e calma, fazendo o lanchinho dos pequeninos. De repente, em meio à gritaria habitual eu escuto, da boca de 6 anos:

- O medo faz ficar mais gostoso, né? – para o irmão, cúmplice nas artes de deixar a mamãe aqui, louca de preocupação.

Estavam ambos, subindo em cima do armário, lá no alto mesmo, e pulando em uma almofadinha nada fofa no chão… No ponto certo de quebrar o nariz e o que mais se apresentasse ao estatelar do chão.

Mas apesar de cumprir meu papel de mãe e passar o devido sermão sobre os perigos do pulo no nada, tive que concordar… Não é que superar o medo dá um gostinho a mais? Um saborzinho super!
Aiai…

A vida que quero Ser

Quando olho pra bagunça no quarto de brinquedos aqui em casa, quando tenho que dizer a mesma coisa umas 10 vezes, ininterruptamente, e ainda assim, não sou ouvida, quando estou morta de cansada no fim do dia e ainda preciso achar um monte (do tamanho do Pico da Bandeira) de paciência pra fazer a tarefinha com os meus pimpolhos… Quando eu preciso encontrar criatividade pra que o pequeno experimente meio décimo de uma cenoura, quando pra escovar os dentes tenho que dar uma passada na terra da fantasia, quando sou acordada no meio da noite porque o gatinho está passando mal, ou quando tenho que ir no supermercado só porque a ração do cachorro acabou, eu penso, seriamente, na vida que teria se não tivesse filhos…

Em como eu seria malhada e sem estrias… Em quantas bolsas de couro e caras e maravilhosas eu teria no armário, em como seria fácil andar de salto agulha, número 15. Em como eu nunca mais vestiria uma roupa manchada, no número de horas de sono ininterruptas que teria. No tanto que eu seria produtiva no trabalho, tendo que pensar só no trabalho, sem me preocupar com febre alguma ou com a hora de buscar os pequetitos na escola. Em como eu seria calma e não daria gritos estrondosos na hora do almoço, em como eu teria tempo de fazer ioga… No quanto seria fácil sair com os amigos (tenho que pedir permissão pra mãe ou pra sogra, que vigiam os pequenos pra mim), em como minha casa, organizadíssima, teria cristais brilhantes e inteiros na mesa de centro da sala de estar, que estaria, sempre, com as almofadas no lugar. Nos livros que leria, tranquilamente, deitada na minha caminha fofinha. Nas lingeries deliciosas que compraria, nas noites de sexo selvagem que experimentaria… Ah… como eu gostaria…

Ah… Como eu seria vazia… Pois todas essas coisas que penso, estão no lugar certo: o do pensamento, já que nenhuma delas preenche o coração uma gota que seja a mais que um sorriso, um beijinho de bom dia, ou um abraço pulado no final da aula… Porque são coisas de se ter, não de Ser. E hoje, no meio da confusão que meus dois filhos me deram eu vejo que eu não tenho um jardim, eu sou girassóis plantados a seis mãos pelas manhãs, sou uma casa contente, com paredes desenhadas, sou gato, sou cachorro, sou peixe e periquito, sou passeios de domingo, uma pequena aventura a cada dia. Sou um livro de contos de fada, sou as gargalhadas das descobertas inocentes, sou a semente que plantamos e cultivamos. Sou vozes cantando e passinhos correndo pela casa, sou alegre e cansada, sou bonita e descabelada. Falo da beleza da alma, porque não me sobram horas pra ir no salão, mas tudo bem.

É pelos filhos que queremos um mundo melhor, que nos preocupamos com reciclagem. É por eles que sento à mesa pra almoçar todos os dias, é pra eles, principalmente, que eu rezo. É porque eles existem, que quero ser uma pessoa melhor, e é com eles que pratico, todos os dias, o amor incondicional.

São os filhos que nos trazem para o essencial.

Quando é que paramos de brincar?

Fazemos uma oração aqui em casa todos os dias antes de dormir. É assim, cada um agradece o que mais gostou no dia e cada um pede o que gostaria para o dia seguinte. Depois, pedimos a proteção do nosso anjo da guarda… Simples, pras crianças aprenderem a agradecer e reverenciar o que é maior do que elas, identificarem o que precisam e para que possamos compartilhar o que pensamos e sentimos em família. É puro, e uma forma gostosa de nos conhecermos. Mas o mais puro é o agradecimento e o pedido deles, que, com raras exceções, é sempre o mesmo:

- Eu quero agradecer porque brinquei muito hoje e quero pedir pra brincar muito mais amanhã.

Porque pra eles é só isso que importa, brincar. E que bom que é assim! Porque pra mim, é assim que as crianças aprendem.  Criança tem que ter tempo pra brincar (adulto também), pra aprender a se relacionar. Ou crescemos zumbis, cheios de conhecimento na cabeça e nada no coração, nenhuma espontaneidade, sem ligação com o Divino, com o prazer, com o céu e a terra. Zumbis programados para fazer a sansara (roda da fortuna) girar!

Desde que se instituiu que a escola é que prepara para o vestibular e que TEMOS que nos dar bem na vida e que TEMOS QUE …. Temos que tudo hoje em dia. Muitas crianças, ao invés de brincar, fazem inglês, judô, natação, futebol ou balé e, ainda, vão à escola. Isso é o curriculo mínimo para os que querem ter algum sucesso, pelo menos é o que dizem por aí. Aprendem todas as regras, se preparam pra inúmeras adversidades, desenvolvem o físico e o intelecto ao máximo, pois é só a isso que a sociedade dá valor hoje. As crianças se tornam mini-adultos.

Os pais, em casa, viram motoristas-cobradores. Levam daqui pra ali o dia inteiro e cobram todas as responsabilidades, como se fosse só esse o papel deles. Mas não sabem o que o filho pensa, quais os talentos possui, o que sonha, (sonhos não tem espaço neste mundo caótico, precisamos correr pra alcançar os desejos) . Não escutam o que o próprio filho tem a dizer, preocupados em alcancem os objetivos delineados. Tentando mostrar quem os filhos têm que ser, não conhecemos quem eles são.

E, assim, adiamos a vida, e ensinamos os pequenos a fazerem o mesmo. Faremos aquela viagem quando terminarmos de pagar a casa, vamos dormir até tarde quando a poupança já estiver gorda, vamos ao show de rock da nossa vida quando os filhos já puderem se virar sozinhos, vamos almoçar devagar, sem atender ao telefone, quando, quando… NUNCA! Preocupados em cumprir a vida, não a desfrutamos, nunca vamos nos sentar pra brincar com as crianças, nunca plantaremos a flor mais linda no jardim.

Apesar da minha alma hippie, que acredita no amor e na vida, não sou tão subversiva assim, acho que o segredo está no equilíbrio, e o que vejo faltar à sociedade do DEVER em que vivemos hoje é o desenvolvimento do coração, o espaço pra brincar, pra mostrar como se sente, pra ser gente.

Acho que brincar, em verdade é um dever de todos. Se pudermos levar ao trabalho, à vida a energia da brincadeira, se pudermos nos relacionar com a espontaneidade de uma criança, se pudermos rir até cair umas duas vezes por semana, o mundo certamente seria melhor, nós certamente seríamos mais felizes, a vida ficaria mais leve!

Quando é que paramos de brincar?


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E se?

Se não fosse o medo, eu diria ao meu namorado que o amo e passearíamos de mãos dadas pela rua… Mas eu não posso dizer, porque ele pode não gostar de mim, ele pode se sentir pressionado, ele pode me deixar…

Se não fosse o medo, eu começaria um blog e colocaria meu trabalho no mundo e, quem sabe um dia, eu teria um livro? Não, mas escrever um livro é muito difícil, não vai dar certo. O que as pessoas vão falar dele? Quem vai querer comprá-lo? Mais fácil guardar esse sonho na caixinha…

Se não fosse a falta de dinheiro, eu viajaria pra praia na Páscoa com a minha família, eu me divertiria muito e seria muito feliz quando voltasse. É, o dinheiro não nos deixa saída mesmo… Mais fácil ficar infeliz o fim de semana inteiro em casa, lavando, passando, arrumando as coisas… Pensando no que poderia ter sido… Fazendo almoço praquele bando de gente, do que ser feliz.

Se fosse segunda-feira, eu começaria uma dieta séria. Mas hoje não, hoje é quinta, amanhã é sexta, depois é sábado e domingo… Mais fácil deixar pra semana que vem… Mas acho que também não vai dar, porque semana que vem é feriado e aí nem vale a pena começar, pois a gente vai acabar parando mesmo… Vou deixar pra depois da Semana Santa. Não, mais certo pra maio, pois em abril tem muito feriado. Aí eu começo a caminhar e fecho a boca.  Posso tranquilamente ficar me sentindo mal, com 20 quilos acima do peso.

Se meu filho não fosse tão bagunceiro, eu teria mais tempo pro casamento. Chego do trabalho e vou ensinar a tarefa, fazer o lanche, arrumar a confusão que fica na casa… Aí meu marido reclama que não paro perto dele pra ver TV, que não vamos passear, que estou sempre feia… Mas como? Preciso deixar tudo, sempre, na mais perfeita ordem.

Preciso sofrer um pouco mais pra me sentir valorizada…

Mas, ah! Se eu não tivesse tanta pena de mim mesma, pararia com o absurdo que é colocar a MINHA vida, minhas escolhas, na mão do medo, do mundo, do dinheiro, do tempo, do meu marido, dos meus filhos… De expectativas e condicionamentos. Se não fosse a dozinha que sinto de mim, eu seria tão, tão feliz.

Porque eu posso correr o risco de dizer “eu te amo” e talvez me casar. Posso viajar pra lagoa no fim de semana e me divertir horrores, ou, até mesmo, alugar 10 filmes e passar o feriado deitada, rolando contente na cama. Posso ter a chance de ter um livro publicado, caso tenha coragem de enfrentar que muitos não vão gostar, mas outros vão. Posso, sim, deixar a louça pra lavar no dia seguinte pra curtir a lua cheia ao lado do namorido, pra amar o meu filho, sem precisar de tanta perfeição.

E posso começar a dieta hoje e caminhar ouvindo musiquinha pela rua… Isso, por si só, vai me fazer sentir melhor. A vida pode ser muito mais leve!

É claro que temos limitações físicas, financeiras, emocionais, mas também é claro que podemos enfrentá-las e fazer o melhor com o que está aí. E sabe o que acontece quando fazemos o melhor com o que está a nossa disposição e paramos de colocar a culpa de tudo fora da gente? Sabe o que acontece quando tomamos TOTAL responsabilidade pela nossa própria vida? Não, TUDO não dá certo, é uma ilusão isso de dar certo ou errado, é infantil achar que as coisas vão sair exatamente como queremos.

Acontece que aceitamos o que não podemos mudar e tomamos, incorporamos, o que está a nossa disposição, usamos todos os recursos ao nosso alcance e nos sentimos plenos.

Enchemos a vida de possibilidades, expectativas e condicionamentos, que tal começar a enchê-la de realizações? Pronto. Já comecei a dieta.

Melhor Renovar!

Melhor ser amigo do que ter amigos. Melhor pedir ajuda quando precisa, do que comprar o vestido mais caro da loja pra ter a sensação de 5 minutos de auto-estima. Melhor pedir perdão, do que chorar o leite derramado, e é melhor descansar do que buscar, incansavelmente, o que não me cabe.

Melhor seguir com o coração aberto do que se justificar o tempo todo. Melhor deixar o passado pra traz, melhor aceitar que as pessoas são o que são, do que achar que o dom da verdade lhe foi concedido. Melhor incluir que confrontar.

Melhor dizer que não gostou do que engordar de tanto comer brigadeiro. Melhor aceitar quem está ao seu lado, pro que der e vier, do que esperar o príncipe encantado.

Melhor contar que estou morrendo de saudades, do que ficar guardando mágoa. Melhor me aconchegar, do que ser indiferente. Melhor mudar de assunto, do que brigar por qualquer bobagem. Melhor me sentir segura descalço, do que um salto Luiz XV no pé.

Melhor respeitar os outros do que exigir respeito, definitivamente. Melhor procurar a nossa turma, do que ser constantemente diminuído. Melhor ouvir o silêncio atrás de cada barulho, a inércia que vem antes do movimento.

Melhor dar tudo o que tenho (no peito) do que ficar implorando aos que não tem nada pra oferecer. Melhor receber o que me é entregue do que fingir que já tenho tudo.  Melhor agradecer e usufruir o máximo de cada uma das coisas que se apresentam a mim, do que ficar exigindo mais. Melhor ser do que ter. SEMPRE.

Melhor ligar pra todo mundo no dia do meu aniversário do que ficar sozinha na festa! Do que não comemorar a vida. Melhor fazer um almoço imperfeito de família do que não ter a quem abraçar. Melhor gargalhar sem escrúpulos do que esconder uma felicidade qualquer.

Melhor experimentar do que se arrepender. Melhor falar como se sente do que se enfurecer pra sempre. Melhor sorrir com a alma e cantar a tristeza desafinadamente.

Melhor dormir no sábado à tarde do que passar a roupa, melhor trabalhar do que ficar à toa. Melhor não concordar com tudo o que leio, fazer as próprias conclusões é muito importante. Melhor contribuir do que ficar de fora.

Muito melhor amar que ser amado! Pois, em verdade, é isso que queremos, amar inteiramente cada minuto do nosso dia, mas interrompemos esse movimento espontâneo por conta de mágoas do passado, que eu nem sei o que estão fazendo aqui, por causa de compromissos que nem queremos, por ilusões mundanas que nos tiram da própria essência. Porque não podemos parecer idiotas ao mandar uma flor pra amiga querida que chateamos, ser bobas a ponto de arranjar o prato para o marido, escolher ficar em casa com os filhos. Agimos como devedores sociais e passamos por cima do amor que temos pra nos adequar a um quadro caótico, que comprovadamente não funciona mais, tamanha é a quantidade de Prozacs e derivados no mercado. Pílulas atenuadoras da dor que é deixar de ser quem somos.

Estou querendo é renovar, tirar o foco do próprio umbigo e começar a perceber o mundo lá fora dos meus pensamentos, do meu egoísmo, das minhas defesas. Quero perceber também o que eu mesma quero diante do mesmo mundo, das mesmas pessoas.

Melhor renovar do que ficar tentando quebrar tudo a vida inteira!

Feliz páscoa!


Livro Chá entre Amigas:

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Como ficar infeliz pra sempre…

Uma vida infeliz, triste e solitária é muito difícil de ser conseguida. É um longo caminho a se percorrer até lá. Mas há que se ter persistência se quiser alcançar todos os “benefícios” que o egocentrismo pode proporcionar a uma pessoa – atenção, desculpas para fugir às reponsabilidades, piedade, mimos, etc. – esteja preparado para se esforçar ao máximo, todos os dias, a cada momento. Este á um guia parcial que encontrei em um livro e pode servir de base para você começar, mas é preciso que se empenhe e pratique sem parar se quiser ser realmente miserável:

1 – Culpe os outros por TUDO. Nunca admita que é responsável pela própria vida.

2 – Procure odiar, antipatizar-se e ficar ressentido com outras pessoas e situações. Não tente procurar soluções amigáveis e adultas para as dificuldades apresentadas. Imponha sua vontade sempre, se for necessário, tenha um ataque de fúria.

3 – Pratique o EGOÍSMO, não, melhor e mais certeiro, pratique o egocentrismo. Negue tudo o que é, tudo o que tem ao mundo. Guarde tudo pra você, invente uma desculpa pra não ser o que é. Eu tenho certeza que consegue uma, tipo medo, ou eu só posso me manifestar quando tenho certeza, ou só me relaciono com aqueles que me provam, por A mais B, que são dignos de mim primeiro – mas a verdade é que ninguém nunca será digno de você.

4 – Mencione constantemente os problemas do mundo e afirme que o mundo e as pessoas não valem nada. Já os seus problemas, esses valem muito, CLARO, afinal, o mundo não chegaria aos seus pés em termos de importância.

5 – Nunca ajude ninguém. Você sempre pode usar a desculpa: “Essa pessoa não me ajudaria se eu precisasse”… Nunca peça ajuda também, você é muito melhor que qualquer um que existe na face da terra e não precisa de nada, nem de ninguém para alcançar a completa infelicidade.

6 – Diga a você mesmo que é bom demais para este mundo – logo acabará acreditando nisso.

7 – Repita com freqüencia: Se todos fossem como eu, o mundo seria uma beleza. Se todos fizessem tudo o que EU acho certo, o mundo seria perfeito!

8 – Não respeite ninguém, odeie as autoridades – convença-se de que estão sempre querendo o pior. Menospreze a TODOS, sem exceção.

9 – Compadeça-se bastante de si mesmo. Aumente o volume da autocomiseração ao máximo! Aja como um mártir. Repita para você mesmo e em voz alta para os outros, sempre que puder: “Oh, mundo cruel… Como sofro. Por que isso tinha que acontecer comigo?.”

10 – Mantenha sempre uma expressão de desânimo em qualquer circunstâncias. Não sorria nunca. Afinal, você está sofrendo e nada, nunca será suficiente pra você. Você é muito especial pra receber o pouquinho que o mundo tem pra te dar. Não agradeça, pragueje!

Use o medo como desculpa pra não ser quem você é. Justifique cada atitude que tomar, tente convencer as pessoas de que você está sempre, sempre certo. Faça muita pirraça, muita mesmo,  pra conseguir tudo o que quer do jeitinho que quer, não aceite que nada saia um milímetro do planejado. Nunca perceba as necessidades das outras pessoas à sua volta, você é o único que tem razão no mundo, só as suas necessidades valem a pena de ser avaliadas, tudo o que você faz e pensa é o correto e deve ser seguido pelos seus súditos. E, cada vez que sua vontade não for atendida, afaste-se das pessoas para puní-las, fale mal delas, aponte os seus defeitos, tenha ódio! Grite e esperneie, tenha ataques de raiva, você tem todo direito de desrespeitar as pessoas.

Não doe o melhor de você ao mundo, guarde o que sabe, o que tem, o amor que, por algum acaso, brotar no seu peito seco, como a planta do deserto. Mate-o. Viva sozinho e infeliz e continue reclamando de tudo. Você merece!

Ou você pode escolher parar com o comportamento destrutivo em relação a si mesmo e ao outro, e se aproximar das pessoas com carinho, amar, se responsabilizar pela própria vida e ser feliz!

(Nos itens numerados de 1 a 10, usei como referência o livro “As Leis da Doença Mental e Emocional” – publicado em Julho de 1989, que compila as ”Transcrições do JOURNAL OF MENTAL HEALTH” )


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