NADA JUSTIFICA A VIOLÊNCIA – nenhuma!

Eu vi, sem querer, um filme da Siria. Alguém jogando água em uma criança, dois menininhos, desfalecidos, molinhos… Pra tirar o veneno que tinham jogado neles. Meu coração está partido. E eu, estou pensando na violência…
A gente parece que ainda não entendeu que NADA justifica a violência. Que NADA justifica matar… Nenhuma briga por território, petróleo ou religião.
NADA justifica bater. Em adulto, em mulher e, principalmente, em criança. Não interessa a arte que o menino cometeu. O erro que fez. Não interessa se seu pretexto é educar… (como é que educa fazendo errado). NADA!
NADA justifica gritar, desmoralizar, humilhar… Nem numa discussão, nem numa briga, nem em lugar nenhum. NADA!
Diz o que sente… Expressa, explica, conversa… É diferente…
NADA justifica assediar, estuprar. Nenhuma saia curta, nenhum decote, nenhuma risada mais alta, nenhum olhar convidativo. NADA!
NADA justifica denegrir a imagem do outro… Falar mal, desmerecer… Dizer que é pior, esquisito, errado, gay, burro, feio… NADA justifica o bulling, nem de criança, nem de adulto. Se o outro te incomoda, fale com ele, limite-o, ou, faça terapia.
NADA justifica as exigências que fazemos aos que amamos, a não ser nossas próprias vontades. NADA justifica as vinganças que tramamos quando não somos atendidos. Quando não fazem o que queremos.
NADA PODE JUSTIFICAR A VIOLÊNCIA… Então, podemos começar a pensar em parar de explicar porque estamos fazendo isso, e, simplesmente parar. JUSTIFICAR A VIOLÊNCIA É CONCORDAR COM ELA. É nos permitir continuar… É acreditar nas explicaçõezinhas medíocres que damos a nós mesmos e ao mundo pra manter a aparência de bonzinho. Parece que não entendemos ainda esse descabimento. Ou não queremos nos responsabilizar pela nossa violência pra continuar a cometê-la…
Assumir pra transformar… Começar com a paz na minha vida, pra que ela se expanda, para que fiquem evidentes os absurdos que cometemos, antes deles se tornarem incontroláveis.Pois como está, é tanto, e tão absurdo, que nem percebemos. Parece normal humilhar, gritar, bater em criança, mexer com mulher na rua, falar mal do ¨amigo¨, exigir que o outro seja quem eu quero… Do jeito que está, só fica absurdo o escatológico, e quando vemos, já foi…
NADA pode explicar, pra mim, uma criança ser envenenada por uma arma química. NADA JUSTIFICA A VIOLÊNCIA…
Pra mim, alguém precisa começar a parar, ou, onde vamos parar?
(Paula Jácome)

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“Quando Pedro fala de Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo” (Sigmund Freud)

Sei de Pedro, que ele não tem lá muita compaixão, que não é confiável, que , provavelmente não tem coragem de se posicionar diante do que não gosta. Sei que Pedro é um pouco cruel, fofoqueiro, crueldade emocional. Penso que deve estar inseguro ou com alguma dificuldade própria que não dá conta de enfrentar , ou, não precisaria falar de Paulo pra se aliviar.
Fico triste por Pedro… Que não tem cuidado com o outro, e, consequentemente, consigo mesmo.
Vejo que Paulo não tem nada com isso. Paulo é só a lixeira de Pedro.
Também imagino que Pedro não se permite viver, como Paulo deve estar se permitindo, errando, experimentando, correndo o risco de desagradar, de não ser amado. Paulo está transgredindo algo que Pedro não aceita em si. E, por isso, tenta conter. Regular . Pedro tenta punir Paulo, denegrindo sua imagem.
Tenho vontade de abraçar Pedro, acolher sua rigidez, sua tristeza, e de dizer que cuide melhor de si, que se permita mais, que se arrisque, que viva!
Aplaudo Paulo em meu coração. Ele parece estar bem!

(Paula Jácome)

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Eu já morri

Não preciso me preocupar. Eu já morri.
Estou aqui, de olhos abertos, respirando, coração batendo, mas já morri.
Não preciso correr, desejar, emagrecer, melhorar, querer, brigar, ganhar… A vida vai viver apesar de mim. E, eu, já morri.
Qualquer outra coisa é ilusão, qualquer verdade é mentira. A morte é o que sempre esteve ligando todos os pontos. E já está.
Deixo que ela me toque. Alcanço sua presença.
Eu já morri. Resoo.
E, nada do que fazia sentido, me faz.

(por Paula Jácome)

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POR QUE AS MULHERES SE PREOCUPAM TANTO COM A BELEZA?

Indo pra natação.

– Mãe, por que as mulheres são tão preocupadas com a beleza?

– Bom, meu filho, EU PENSO que é porque as mulheres conseguiam as coisas através das beleza, como os homens, através do dinheiro. Por muito tempo, as mulheres não trabalhavam, e, quando trabalhavam, não eram bem vistas. Então, pra conseguirem as coisas, precisavam casar. E, como as pessoas casavam sem se conhecer direito também, a beleza, e o dinheiro do pai delas, que faziam os homens se interessarem.

– Mas você ainda faz isso…

– Sim, mas é porque isso aconteceu por tanto tempo, que fomos aprendendo umas com as outras, as mães com as filhas, que deveríamos ser mais bonitas que as outras. E, ninguém quase pensa sobre isso. O.problema também, não é a beleza. A beleza é bonita! – RS – O problema é deixar de ser feliz pra ficar bonita e se sentir mal porque não se acha bonita. Eu me senti mal por muito tempo porque não me achava bonita o suficiente. Mas por que está perguntando?

– É que joguei cola sem querer – ou não – no cabelo de uma amiga e ela reclamou muuuuuito. Disse que ia ter que fazer hidratação, que ia demorar um tempão…

Estacionei o carro.

– As mulheres serviam só pra casar então? Que dó…

– Pois é… Pra casar e ter filhos.

Correu feliz pra lá. Eu fiquei feliz cá, de poder falar dessas coisas com ele.

Aceito opiniões divergentes ou complementares. Quero melhores pessoas no mundo, e estou interessada em ensinar as que estou criando.

(por Paula Jácome)

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Das des-desvantagens de ir ao supermercado com crianças

 

Você vai comprar muito mais coisa do que está na sua lista, muito mais do que quer ou precisa. Muito mais coisas inúteis, muito mais coisas PRAZEROSAS.
Você vai esperar o elevador quando podia ir pela escada. Só porque o elevador é panorâmico e a vista é bonita. E isso é muito legal, e elevador de vidro dá pra sair se o elevador parar, e isso é uma enorme vantagem… Vai ouvir teorias malucas sobre a vida, o universo e tudo mais.
Você vai tomar um picolé.
Vai parar e conhecer todas as novidades que estiverem nas prateleiras.
Vai ter que ficar esperando o seu ajudante brincar com a esteira rolante do caixa, enquanto passa as compras. Vai ver o sorriso do caixa e de toda a fila pra sua pureza de se divertir com tão pouco.
Vai ter que correr atrás do carrinho toda vez que quiser colocar alguma coisa. É bom que gasta já a caloria do picolé.
Vai perder um tempão, vai ter sua tarde toda desorganizada… Vai se encher de caos e de vida!
Vai transformar uma segunda, numa tarde de sábado.
É muita des-desvantagem!
💟
(Paula Jácome)

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FÁCIL DE FALAR, DIFÍCIL DE FAZER.

Fácil desejar virtualmente um bom dia cheio de flores! Difícil é fazer algo pra que alguém se sinta bem de verdade, na realidade. Naquele dia!

Fácil demais dizer que ama, difícil estar do lado, na hora do drama, da dor… Fácil dizer que sente muito, difícil compensar o desamor. Assumir e compensar. Fácil agradecer, muito raro devolver, de fato, na vida, a ação que chamamos divina.

O mundo das ideias é lindo! O amor é cor de rosa, a amizade é colorida, a gratidão se tornou duas mãozinhas postas uma diante da outra. O dia inteiro nos deparamos com pensamentos maravilhosos, declarações brilhantes e posicionamentos intangíveis! Tão intangíveis que não se é possível tocar. Tão incríveis, que não se pode ver.

O negócio é que a vida real tem preço. O que se faz, tem repercussão. Tem efeito. Tira do mesmo, do conforto. No mundo ideal, dizer que ama não significa acolher, abraçar, respeitar… Um coração pulsante é o suficiente. No mundo ideal eu sou linda porque sou a favor de uma causa qualquer, eu sou inteligente porque compartilhei aquele texto genial, eu sou um grande amigo quando dou um sorriso e mando uma mensagem dizendo que você é tão importante pra mim.

Mas escutar de coração aberto a dificuldade do amado, ir na reunião e propor a mudança, deixar de comprar, separar o lixo, plantar a arvore, ir na casa do que está sofrendo, enfrentar os problemas de tentar fazer diferente, dar a cara a tapa, quase ninguém quer, quase ninguém vai.

A gente não quer se responsabilizar, a gente não quer agir, a gente não quer mudar. Mais fácil falar, do que realizar. Chega a ser engraçado. Como nos enganamos tanto. Como aceitamos receber tantas coisas que não existem… Como damos tantos sorrisos cheios de vento de uma vez pra todos.

Muito do que falamos é vazio de qualquer concretude. Difícil viver e pactuar o fio de nossos bigodes num tempo em que ninguém tem tempo pra nada. Então, talvez por querer de alguma forma ainda meio apaixonada, como num conto de fada, dedilhamos pozinhos de pirlimpimpim, com fotinhas e escritos perfeitos, torcendo pra que eles realmente se materializem. Assim, quem sabe não mudamos o mundo sem precisar nos comprometer com nossas palavras? Sem nos comprometer conosco mesmo?

Esse mundo anda virtual demais pra minha realidade…

(por Paula Jácome)

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Vamos fazer um escândalo

Meu pai me mandava sentar direito. Sentar com as pernas encima da cadeira não podia. Era indecente. Eu nem sabia o que era isso. Eu não podia brincar sem camisa, ficar sozinha na rua depois de uma certa hora, brincar só com meninos.
Não entendia porque devia ficar no claro, não passar no escuro. Não. São tantos nãos.
Eles, os nãos, por si só são abusivos. Muitos doidos. Não podia entrar no quarto sozinha pra brincar com os primos. Por quê? Porque você é menina. Mas o que é que tem? Sempre tinha um alvoroço e nenhuma resposta.
Mas nenhum não protegeu do adulto “confiável” que enfiou a língua no meu ouvido quando eu era adolescente. Do homem que me esperava passar, voltando do vôlei, debaixo de uma árvore, se exibindo. Do adolescente que me tocou quando eu tinha 5 anos. Do outro que nos olhava trocar de roupa pela janela, a vida toda.
Daquele que me esperava, de bicicleta, passar à pé, e passava as maos em mim várias vezes pelo caminho. Nenhum não me impediu de sentir medo. De ficar assustada ao ouvir palavras pesadas demais pra uma menina que estava só indo comprar o pão. De sentir um amigo tocar meus seios fingindo ajudar a subir a escada, enquanto meu pé estava quebrado.
Nenhum não me protegeu do adulto que achava que tinha o direito de passar a mão na minha bunda toda vez que eu ia buscar água na cozinha. Nada me livrou da vergonha de contar aos meus pais cada uma dessas coisas, que ainda está aqui agora, enquanto eu escrevo.
Será que tem algo errado comigo que me lembro disso até hoje? Que fui marcada por essas violências que parecem tão naturais, mas que nos desrespeitam tanto? Será que é só comigo? Que eu estou maluca? Eu não devo ter tido modos suficientes pra acontecer isso comigo… Meninas precisam ter modos, precisam se comportar muito bem, pra não provocar nada. É o que nos dizem… Que a culpa é nossa. As vezes, porque a gente é bonita. Gostosa! NAO É. De jeito nenhum, NAO É!
Isso não pode ser mais tão normal. Pode ser escatológica e loucamente comum, mas não é normal. Precisamos tirar a normalidade disso. É um absurdo! Vamos fazer um escândalo!
(por Paula Jácome, inspirada por Jout Jout)

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O MESMO COM A VIDA

!

– Quer sorvete?
– De que?
– De pistache.
– É gostoso?
– Eu gosto.
– Tem gosto de que?
– Ah… É doce… Tem um amarguinho, bem de longe… É diferente.
– Mas é verde… Não tem sabor de hortelã?
– Não. Nada disso. Será que não seria mais fácil experimentar?
,- Acho então que eu ia ficar sem saber mesmo…
– Hum… Eu não… Depois não gosto… Tenho medo de não gostar.
– Mas se não experimentar, nunca vai saber! Realmente.
– Mas se eu experimentar e não for bom, vou estar perdendo tempo, dinheiro, energia…
– Sim, mas se não experimentar, nunca vai saber. E se eu dissesse que não gosto?

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Quando olho pra barragem de Mariana que partiu e destilou veneno na água limpa e pura, vejo nossa incapacidade de amar.
Vejo nossa dor exposta, cimentando tudo, endurecendo… Vejo a dor que não cuidamos se ruir pela pureza da vida, da Terra.
Vejo nosso desrespeito, nosso coração machucado, trincado, gritando por cuidados… Até que explode em lama e suja tudo em volta. Inclusive os rios, inclusive as almas…
Vejo as gentes se culpando, se defendendo, se justificando, se afastando, fugindo, fingindo, mas de que adianta? Quando precisamos agora é nos responsabilizar, cada um por sua parte. Sair do conforto de reclamar e fazer, agir!
Vejo nossa tristeza enchendo a barragem de consumo compulsivo, nossa insatisfação desrespeitando a vida, os seres, vejo nossa busca pelo poder, dinheiro, admiração e reconhecimento rompendo e varrendo tudo… Levando de nos o mais puro… O mais simples…
Vejo nossa dificuldade de lidar com o sofrimento, o nosso e o do outro. Vejo nossa alienação em achar que podemos ser felizes sozinhos, ser mais felizes que os outros… Vejo o quanto nos afastamos do mais simples, do mais puro, do essencial. Vejo nossa inação diante do AMOR. Que é só e simplesmente tudo o que queremos e precisamos de verdade…
Vejo o rio, a pureza da alma, da criança humana se encher de dor e transformar tudo em lama…
Eu sinto muito…
(por Paula Jácome)

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E se eu não pensar mal de mim?
E se eu não achar que sou incomodo, que sou inconveniente, que sou feia, sem graça, sem jeito?
E se eu não pensar que estou fazendo tudo errado, trocado. E se eu não achar que desagrado?
Como seria minha vida se eu não me visse como um fracassado? E se errar fosse normal? Se o medo, fosse só o natural, aquele que me previne de uma dor real? E se eu pudesse arriscar? Arriscar ser quem eu sou? Arriscar falar o que penso? Expressar meus sentimentos? Me vestir como gosto, usar o que prefiro… Comer o tanto que quero! Comprar ou não o que espero que me faca bem! Falar com quem eu prezo! E se eu me permitisse mostrar as celulites? Um pouco de gordura, os cabelos desgrenhados… Naquele dia que não tem jeito mesmo… Se eu deixasse eles, os cabelos, soltos e livres… E se eu me deixasse solta e livre?
Como seria minha vida se eu realmente me amasse? Se nunca me culpasse? Quantas coisas eu faria… Quantos amores declararia, quantos pedidos eu gritaria aos quatro ventos, a todos os tempos! Quantas belezas e feiuras eu traria para onde estivesse, porque isso não me importaria mais, o belo seria pra mim tudo que se dispusesse. Pois não importaria mais… Eu só estaria. E me encantaria experimentar e descobrir o que aparecesse de mim…
E se eu NUNCA MAIS pensasse mal de mim? E se eu verdadeiramente me amasse? Quem eu seria? Que gosto quereria? Que amores beijaria? Que flores admiraria? Eu me vestiria? (…nesse calor…)
Que vida o Eu escolheria?
(por Paula Jácome)

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