Meu coração se acostumou ficar aberto ao seu lado… E agora, como fecha-lo?
Meu coração se acostumou ficar aberto ao seu lado… E agora, como encontrá-lo?
Como não perceber seus pensamentos, sentir suas energias me percorrendo… Como não compreender seus olhares? Seus sinais? Como não lembrar de cada uma de nossas intimidades?
Como estar perto? Como não me balançar?
Coração não fecha, o caminho de abertura é só de ida. Ele se esconde, se afasta quando se fere… E quanto mais largo, mais pedaço pra cortar.
O coração que se alarga começa apertado, constrito. E a cada segredo, a cada carinho, cada verdade, mais ele se destrança… E vai ficando folgado… Até que descansa do seu lado…
Até que para de pular, de fugir… Escancara.. Coração espaçado requer cuidado.. É delicado…
E não se fecha à fórceps como se espera por aí por esse mundo fast.
Abriu-se, danou-se.
Assim eu entendo os congelados que não se deixam abrir.
Coração alargado se rasga, se desmancha, desintegra… Sente e sofre e doi e sangra.
Mais fácil esconder e não encarar, não viver e experimentar, amar ou moer…
Coração aberto, pra costurar ou remendar, só ficando longe. E, mesmo assim, fica a marca… O retalho de alma fica ali, exposto, visível, tateavel.
Como não me afastar de você, se mesmo depois de tantas costuras, o amor ainda está tão folgado? Já lavei e ventei, mas não encolhe. Tecido bom esse do amor…
Então, pra não escorrer aos teus enlaces, me escondo. Ou, me desfaço…
Só olho ao longe…
Por favor, seja gentil com meus tantos des-pedaços…
(por Paula Jácome)

Natal a gente corre pra lá e pra cá, dá presente que não sabe se agrada, ganha o que não compraria, da abraço em parente, vê amigo que não via, le mensagem, manda texto, se declara, amassa a sobrinha que chora porque nunca te viu, mas você já ama, conta as fofocas de quem não pode estar na festa, dorme mal, nem dorme… Almoça em um dia 3 vezes… Vai em 3 confraternizações em um dia… Engorda.. Vai na casa das pessoas… Em cada casa que vai tem que beber ao menos, AO MINIMO, um café. Come, come, come…. Conversa, conversa, conversa… Ri, chora de gratidão pela familia linda, chora de saudade de quem esta indo embora, de quem não veio, sente a falta, o tempo todo, do pai que já se foi. Briga um pouco, se magoa um tanto, sente ciume, arranja confusão, mas tudo isso e só um tanto de amor. E como viver a relação que a gente não viveu o ano inteiro, porque estava longe, trabalhou demais, não teve tempo, estava cansado, em só três ou quatro dias. E colocar uma lente de aumento em nossos corações. Nesses dias, a gente cansa, mas e um cansaço do bem, um cansaço de se esforçar pra dar lugar ao que e essencial nossas vidas, aos amigos, a familia, aos amores. No Natal, a gente faz o que Ele ensinou, do nosso jeito tortinho, a gente ama, ama, ama…
(Paula Jácome)

Eu ainda, (ou já… Está mais pra já pra mim) sou meio antiga. Eu sou da época que tinha que marcar encontro com data, hora e local certinho, ou não dava certo, perdia, desencontrava. E, talvez por isso, até hoje não entendo muito bem esse negócio de redes sociais. Principalmente as mensagens… Tipo, eu até hoje penso que tem alguém do outro lado! Veja bem que boba! Até hoje eu acho, que se eu li uma mensagem, principalmente se nela está contida uma pergunta, eu preciso responder.
Eu ainda não incorporei completamente que estamos conversando com maquinas. Eu penso que a pessoa do outro lado é uma pessoa e tem sentimentos, e que, como mamis ensinou, se eu saio no meio da conversa sem avisar, é falta de educação. Antes eu nem podia sair da mesa sem avisar, mesmo que não tivesse conversa nenhuma, que era motivo pra ralharem comigo.
Se me fazem uma pergunta, eu preciso responder. Fico pensando eu, na rua, uma pessoa fala “Oi, tudo bem?” e eu fico só olhando, calada, ouvindo o que ela diz sem falar nada. Acho que seria quase um caso de me considerarem em um surto catatônico e me internarem.
Eu até fico me forçando pra não responder, tipo, quero ser coll! Quero fazer parte da galera das carinhas felizes e joinhas! Com tantas coisas mais importantes pra fazer! Mas, se alguém me pergunta, eu não CONSIGOOO! Minha maezinha me educou bem demais. Eu só não vou responder mesmo, claro que depois que eu vir (mas quem não vê, heim? Estamos o dia todo com a cara enfiada nesses ai-tudo, andróides…), se eu estiver magoada com você. Aí sim! Estaria sendo coerente com a pessoa real que eu sou. Pois se encontrarmos na rua, vou fazer o mesmo.
E, por que, exatamente, somos diferentes na vida real do que na virtual? Esse negócio de vida virtual nem devia existir, pensa, é tudo minha vida mesmo. Eu só edito. Tem gente mais simpático, mais corajoso, mais inteligente e até mais feliz! Tem gente depressiva que está feliz nas internets da vida!
Não consigo, de jeito nenhum, apesar de todas as tentativas, desconsiderar o humano que está falando comigo do outro lado, apesar de eu estar recebendo isso através de uma máquina. Acho que essa é a confusão. A máquina não está falando, ela é só o meio! O instrumento! A COISA através da qual se entrega o recado. Quem está do outro lado, é uma gente! Com entranhas e coração e tudo mais!
Às vezes é tão diferente estar com a pessoa de verdade e estar com a maquininha falando pela pessoa, que eu acho que as máquinas já dominaram o mundo, como nos filmes de 1980 era previsto que aconteceria em 2000 e pouco.
Sei lá! Vai ver sou antiquada, afinal, estou na beirinha dos quarenta, ou vai ver que não, que só entendo uma mensagem como uma forma de me comunicar com outra pessoa e aplico os mesmos princípios que aplicaria se estivesse diante dela…
(por Paula Jácome – uma pessoa, com direitos autorais e tudo. O texto não nasceu expontaneamente no face não, viu? Nem os filmes nascem na nuvem… Ah! E essa pessoa aqui, AMA a facilidade de ter ao alcance dos dedos todas as outras pessoas da sua vida!)

🌹Pensando bem, tenho um carinho enorme pelas dores que sinto.
E que cada tristeza, magoa, decepção, queda que vivo, me recolho de novo. Me encontro comigo. Porque estas coisas acontecem, quando estamos espalhados, quando derramamos nossas expectativas no mundo. Esperando que outros, a vida, façam por mim, o que não faço. Quando me frustro, o sonho morre. A necessidade que deixei de lado, que não cuidei, que abri mão, grita… “Olha, eu estou aqui… Você precisa me tomar de volta, cuidar de mim, me abraçar, me recuperar… ”
Pensando bem, sentir dor, nos move até nós mesmos, desintegra nossas ilusões, nos deixa mais concretos, mais inteiros… Me traz de volta o amor por mim, que perdi, em alguma história que me contei, muito bem contada, em que acreditei, e me perdi.🌹
(Paula Jácome)

Eu nunca mudei
Sou bela e doce
Eu nunca fui diferente com ninguem, com você
Sou bela e doce
Sou bela e doce e curiosa
Minha espontaneidade não me enfeia
Sou bela e doce
Quando fiz o que quis, quando experimentei o que quis
Quando fiz quem fiz, quando experimentei quem quis
Nunca mudei, sou bela e doce
Quando te decepcionei, te frustrei, não te atendi, não te vi, quando ri, quando brinquei e briguei, nunca mudei.
Sou bela e doce
Mesmo feia e amarga, nunca mudei, sou bela e doce
Que pena que é assim, assim, só do seu jeito. Que só pode me amar quando sou bela e doce e o que você quer que eu seja. Que pena que é assim, que não permite que eu seja, a não ser que eu seja como queira que eu seja.
Porque nunca mudei.
Sempre estou assim
Bela e doce, mesmo quando apareço feia ou amarga.
É triste, e não posso fazer nada, mesmo bela, mesmo doce…

(Paula Jácome)

CORAGEM

!

Faça o que precisa pra ser feliz. É simples, eu juro!
Xingue alguém que precise xingar, peça perdão se errar, corra 1.000 km por dia.
Nade contra a corrente, gargalhe! Caia de bicicleta, não se case, tenha 31 cachorros.
Se mude pro Para ou pra Dinamarca, é só escokher. Compre um carrão, vermelho, conversível! Apareça! Não precisa crescer.
Pule de pára-quedas, compre a porcaria do sofá que você quer para a sua sala! Tire uma ondinha… não faz mal… e surfe nela!
Seja mãe, pare de trabalhar. Seja um super mega blasto sucesso profissional. Brilhe! E esqueça os filhos na escola depois da aula. Eles vão entender. Vão sobreviver.
Escreva o que quiser e bem entender no Facebook. Inclusive suas opiniões políticas! Não siga quem não quer no Facebook. Elimine de sua vida o que te incomoda.
Faça um samba em plena quarta feira, coma um cheescake, não cumpra o compromisso das 7 horas da manhã. E daí?
Converse o dia todo no Whatsapp, durma o dia todo. Assista TODAS as comédias românticas do netflix. Chore 1497 vezes a morte do seu pai… comemore o nascimento da sua sobrinha!
Ajude o mundo a ser um lugar melhor. Conte calorias, fume um cigarro, plante 300 árvores, reclame da vida! Se achar alguém que goste de ouvir. Ou pague um terapeuta, que goste de ouvir…
Faça sexo. Mude de sexo! E toque e dance e cante!
Se afaste, se aproxime, grite, cale, trabalhe, trabalhe, trabalhe! Trabalhe em Porto Seguro! Pense, flua, pare. Declare seu amor proibido, traia! Se for isso! Mas não traia a si mesmo. Nunca é de jeito nenhum. Não engula o que não gosta. Nem na hora da comida!
Seja você mesmo (como se houvesse outro jeito). E aceite isso! Por favor! Ame-se! Não se culpe, não me culpe, não culpe a eles! A obrigação de se amar, quem tem é você!
Seja você mesmo o que é, e não uma vítima indefesa das influências nefastas do espaço sideral (expressão de Sri Prem Baba).
Jogue fora essa saco de culpa e de medo e de dor e vá respirar!
Ou… sofra. Mas por amor a si mesmo.
Vai! Coragem!
“Eu pensava que devia deixar de ser para ser, mas vi que preciso deixar-me ser para ser” (Amor Hernandes)

(Texto fresquinho, por Paula Jácome! )

Cada sentimento tem uma missão

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A raiva pode mudar tudo. Desconstruimos as coisas e temos a oportunidade de renascer.
A tristeza, em mim, dá profundidade, traz junto a compaixão, compreensão.
O amor esquenta, acolhe, me conduz gentilmente à gratidão. Que me mostra a felicidade, que tudo vale à pena, se a alma não é pequena, como já disse aquele poeta.
O desejo me mostra a falta… a carência.
A dor me aterra, me joga na cara o que não está bom, me desconforta, tira o tom da musica. A decepção me coloca em contato direto com a realidade. Escancara minhas loucas ilusões sustentadas por expectativas floridas (geralmente) que não quero enxergar.
A alegria me expande, me compartilha!
Interromper, julgar, resistir, esconder de mim mesmo qualquer um deles que seja me limita, me angústia, me paralisa.
Integre, flua!
(por Paula Jacome, um pensamento de hoje, inspirado por uma meditação de ontem)

MINHA MAE AINDA MANDA EM MIM

 

Minha mãe ainda manda em mim. Tenho 40 anos, seis meses e 13 dias e, quando deixo a roupa jogada no chão e saio de casa, ela ainda grita: Menina! Vai sair e deixar tudo bagunçado assim?
Não vai escovar os dentes? Antes de passear, bebe água e faz xixi. Ela briga comigo quando esqueço alguma coisa. E eu esqueço muitas coisas… Muitas mesmo!
Ela me diz pra cortar as unhas, arrumar o cabelo, desfazer a mala.
Exige notas altas. Até hoje! E eu nem estou mais na escola… a nota agora é no trabalho, tenho que ter nota 10 de desempenho. Netflix na segunda? Nem pensar… nem mesmo se trabalhar todo o fim de semana. Nos relacionamentos, 8,5 está bom. Às vezes, menos é mais!
Agora, na organização da casa, sou rebelde. Ela fala, fala, e eu, de propósito, deixo tudo bagunçado. É minha forma de contra-atacar. Cada um tem a sua… E ela fala tanto, tanto, que tenho vontade de sair correndo pra longe disso. Por mais que a ame, essa voz na minha cabeça me irrita profundamente. É como um zumbido constante, estático, neurótico, que, na verdade, pouco tem a ver com minha mãe mesmo.
Minha mãe, em carne e osso, me apoia, sente orgulho de mim, torce pela minha felicidade, muito! Mais que pela dela. Hoje, me ajuda com as criancas e faz o que pode pra minha vida ficar mais fácil.
Mas ficou em mim essa vontade de agrada-la. De ser linda e perfeita pra ela. De vê -la sorrir ao me olhar… Ficou dentro de mim uma dor, pela minha incapacidade de concretizar esse amor alucinadamente cortante. Ficou o desespero em atender todas as expectativas que eu achava que ela tinha de mim.
Ela queria mesmo que eu fosse boa na escola, mas não era pra ela, mas pra eu ser independente hoje. Que eu andasse arrumadinho, fosse organizada, simpática, gentil e bonitinha. Pra me adaptar melhor, pra vida ser mais tranquila.
Ela estava cumprindo o papel dela, de me educar, cuidar, ensinar. E, eu entendi que precisava de dar conta de tudo aquilo pra ela me amar. Louco delírio! Não é minha culpa, ninguém me explicou. Nem dela também.
Preciso é reaprender, que nada que faço hoje é errado, nem sair descabelada, ou deixar a louça na pia, ou jogar a roupa pelo chão, e parar de me xingar e me punir por isso. Mas, preciso me responsabilizar pelas consequências disso. As pessoas podem me achar esquisita (o que é problema delas), podem aparecer ratos, e, eu nunca vou achar nada se não guardar direito…
Mas não preciso obedecer a voz nenhuma, nem pessoa nenhuma! – Porque, eu encarno nas pessoas a voz da minha mãe – Preciso saber que cada atitude tem uma consequência. E deixar as esquizofrenias da incompletude do amor humano de lado…
Se começo a me assumir, se saio do armário, mostro quem sou e o que faço, se sou capaz de me vestir da minha nudez, as idéias de como penso que devo ser começam a se distanciar… Até que se somem… Phuf! 💢
Serve para pais de todos os tipos também.
(texto de hoje, por Paula Jácome)

UNI-VERSO

 

Escuto as pessoas falando que não dão conta de se relacionar por causa da rotina… Eu estou com a mesma pessoa à 18 anos, e não é a rotina que me desafia.
Tem coisa mais quentinha, macia, gostosa, confortável que rotina? Que estar dentro das regras e saber que elas vão ser seguidas? O mesmo todo dia tem cheiro de mormaço… da pra deitar e ficar ali, parado, descansando, pelo sempre…
Não, não acho chato. Acho impossível.
Nós tendemos à evolução. Por quê? Não sei. Não faço a menor ideia. Vejo isso por aí. Parece ser um movimento do Universo. Expandir. E, vai ver, que como parte desse Universo, também precisamos expandir.
Nas relações, expandimos um em direção ao universo do outro. Planetas e cometas colidem, novos big bang (s) explodem. E isso é assustador! Porque o Universo do outro é diferente do meu. Tem outras leis da física, química e biologia. Pode não ter gravidade, pode ser que respiramos outro tipo de gás, tipo, hélio ele, oxigênio, eu. Pode ser que ainda existam dinossauros em algum canto do outro. E, nesse encontro, tudo que é meu, Eu, se desconstrói. E o Ele também. O que vai ficar é algo novo, que nunca viu saber o que é, pois, em respeito aos conflitos, estará sempre em movimento.
O difícil, nos relacionamentos, é a entrega. É me deixar desconstruir e reconstruir através do outro. É o caos, essa dança de vida e morte, que apavora.
É ela que me faz querer fugir, querer procurar outras pessoas, me faz brigar e machucar o outro, mentir, esconder, nunca ficar… que me afasta. Que me desafia, que me ensina, que me abre a consciência, que me expande, que me mostra que meu umbigo não é o centro do universo, que as verdades não são únicas, e minhas.
E esse conserto (está escrito certo, pensa ai), tocado a duas mãos, é lindo! Mas, só acontece quando eu conheço, acolho, ESCUTO, entrego. ISSO é difícil, emocionante! Me mostrar, ver o outro. A rotina é fácil, qualquer um pode ficar nela. Não pode ser mais fácil.
A entrega é o novo. Rico. Excitante. Uma mulher ou homem diferente a cada dia não me move em nada. Não traz novidade nenhuma. O que traz é só um desejo, DE NOVO, de me unir a alguém. Desejo enorme e cada vez maior, que nunca concretizo, por faltar coragem de me desconstruir, sei lá. Desejo enorme e cada vez maior que só alimenta a minha carência. Pois não me permito, tenho medo de deixar de ser quem acredito.
A rotina, o mesmo, é ótimo! Desafiador é a entrega, é o amor, é o que transforma.

(por Paula Jácome, em 08/08/2016)

Reticências

 

E tem todos esses sentimentos que eu não queria ter…
A inveja da amiga mais bonita que eu, que nem parece que tem 40 anos… O ciúme da festa pra qual não fui convidada. A raiva daquilo que não saiu exatamente como eu planejava. O fracasso que não conto e me consome…
A mentira que contei quando não foi possível dizer a verdade. Essa maldita tristeza infinita que não passa… por conta de uma infância mal resolvida, de uma morte inacabada.
A demora pra responder a mensagem, pra forçar alguma importância. A agenda cheia, que aparento… os espaços vazios, que aguento…
O desejo de ser curtida, a angústia de me sentir sozinha… a culpa por não conseguir agradar todo mundo, inclusive a mim mesma. Essa imagem/algoz que sustento pra nada.
Essa vontade maluca de ser melhor que as outras pessoas. Era melhor ser maluca mesmo. Essa sensação vazia de que, se não for especial, não sou nada. O que tem de errado com o mais ou menos? Se não for tanto, será que não serei amada?
A competição, a amargura, os espinhos que solto, com que me protejo do que penso que o outro pensa. As atrocidades que cometo, a fofoca disfarcada, a punheta velada.
O querer aquilo/aquele que não posso ter. O destruir aquilo/aquele que não me permito ser… A traição ao outro, ao que acredito, o auto-engano… que vejo tão claro.
O pavor da crítica que fazem de mim. Posso me desintegrar diante de uma delas. A farsa da vida:
– Tá boa? – Sim, tô ótima!
– A comida tá boa? – Sim, tá ótima
– Acho que não tá bom o suficiente. – Sim, tá ótimo.
– Faz pra mim? – Claro!
Aquela foto que carrega o peso do meu sorriso.
O medo de perguntar… e se ele disser não? O medo de dizer o não… quando não quero, não gosto… e se ela não gostar mais de mim? O medo de fazer, de rejeitarem aquilo que fiz… como se o que fiz fosse eu…
A raiva de ficar onde não quero… o medo de desagradar… onde aprendi a ser tão educada? Essa insegurança filha da puta! Onde eu aprendi a ser tão mal educada?
Essa ideia louca de não ser boa o suficiente… o tempo todo… e essa compensação alucinada, porque me mata de cansada, de querer ser excelente, ao menos…
Esse enojo de mim…
E todos esses sentimentos que eu não gostaria que fizessem parte de mim?

(por Paula Jácome em 10/08/2016)