UNI-VERSO

 

Escuto as pessoas falando que não dão conta de se relacionar por causa da rotina… Eu estou com a mesma pessoa à 18 anos, e não é a rotina que me desafia.
Tem coisa mais quentinha, macia, gostosa, confortável que rotina? Que estar dentro das regras e saber que elas vão ser seguidas? O mesmo todo dia tem cheiro de mormaço… da pra deitar e ficar ali, parado, descansando, pelo sempre…
Não, não acho chato. Acho impossível.
Nós tendemos à evolução. Por quê? Não sei. Não faço a menor ideia. Vejo isso por aí. Parece ser um movimento do Universo. Expandir. E, vai ver, que como parte desse Universo, também precisamos expandir.
Nas relações, expandimos um em direção ao universo do outro. Planetas e cometas colidem, novos big bang (s) explodem. E isso é assustador! Porque o Universo do outro é diferente do meu. Tem outras leis da física, química e biologia. Pode não ter gravidade, pode ser que respiramos outro tipo de gás, tipo, hélio ele, oxigênio, eu. Pode ser que ainda existam dinossauros em algum canto do outro. E, nesse encontro, tudo que é meu, Eu, se desconstrói. E o Ele também. O que vai ficar é algo novo, que nunca viu saber o que é, pois, em respeito aos conflitos, estará sempre em movimento.
O difícil, nos relacionamentos, é a entrega. É me deixar desconstruir e reconstruir através do outro. É o caos, essa dança de vida e morte, que apavora.
É ela que me faz querer fugir, querer procurar outras pessoas, me faz brigar e machucar o outro, mentir, esconder, nunca ficar… que me afasta. Que me desafia, que me ensina, que me abre a consciência, que me expande, que me mostra que meu umbigo não é o centro do universo, que as verdades não são únicas, e minhas.
E esse conserto (está escrito certo, pensa ai), tocado a duas mãos, é lindo! Mas, só acontece quando eu conheço, acolho, ESCUTO, entrego. ISSO é difícil, emocionante! Me mostrar, ver o outro. A rotina é fácil, qualquer um pode ficar nela. Não pode ser mais fácil.
A entrega é o novo. Rico. Excitante. Uma mulher ou homem diferente a cada dia não me move em nada. Não traz novidade nenhuma. O que traz é só um desejo, DE NOVO, de me unir a alguém. Desejo enorme e cada vez maior, que nunca concretizo, por faltar coragem de me desconstruir, sei lá. Desejo enorme e cada vez maior que só alimenta a minha carência. Pois não me permito, tenho medo de deixar de ser quem acredito.
A rotina, o mesmo, é ótimo! Desafiador é a entrega, é o amor, é o que transforma.

(por Paula Jácome, em 08/08/2016)

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