Eu ainda, (ou já… Está mais pra já pra mim) sou meio antiga. Eu sou da época que tinha que marcar encontro com data, hora e local certinho, ou não dava certo, perdia, desencontrava. E, talvez por isso, até hoje não entendo muito bem esse negócio de redes sociais. Principalmente as mensagens… Tipo, eu até hoje penso que tem alguém do outro lado! Veja bem que boba! Até hoje eu acho, que se eu li uma mensagem, principalmente se nela está contida uma pergunta, eu preciso responder.
Eu ainda não incorporei completamente que estamos conversando com maquinas. Eu penso que a pessoa do outro lado é uma pessoa e tem sentimentos, e que, como mamis ensinou, se eu saio no meio da conversa sem avisar, é falta de educação. Antes eu nem podia sair da mesa sem avisar, mesmo que não tivesse conversa nenhuma, que era motivo pra ralharem comigo.
Se me fazem uma pergunta, eu preciso responder. Fico pensando eu, na rua, uma pessoa fala “Oi, tudo bem?” e eu fico só olhando, calada, ouvindo o que ela diz sem falar nada. Acho que seria quase um caso de me considerarem em um surto catatônico e me internarem.
Eu até fico me forçando pra não responder, tipo, quero ser coll! Quero fazer parte da galera das carinhas felizes e joinhas! Com tantas coisas mais importantes pra fazer! Mas, se alguém me pergunta, eu não CONSIGOOO! Minha maezinha me educou bem demais. Eu só não vou responder mesmo, claro que depois que eu vir (mas quem não vê, heim? Estamos o dia todo com a cara enfiada nesses ai-tudo, andróides…), se eu estiver magoada com você. Aí sim! Estaria sendo coerente com a pessoa real que eu sou. Pois se encontrarmos na rua, vou fazer o mesmo.
E, por que, exatamente, somos diferentes na vida real do que na virtual? Esse negócio de vida virtual nem devia existir, pensa, é tudo minha vida mesmo. Eu só edito. Tem gente mais simpático, mais corajoso, mais inteligente e até mais feliz! Tem gente depressiva que está feliz nas internets da vida!
Não consigo, de jeito nenhum, apesar de todas as tentativas, desconsiderar o humano que está falando comigo do outro lado, apesar de eu estar recebendo isso através de uma máquina. Acho que essa é a confusão. A máquina não está falando, ela é só o meio! O instrumento! A COISA através da qual se entrega o recado. Quem está do outro lado, é uma gente! Com entranhas e coração e tudo mais!
Às vezes é tão diferente estar com a pessoa de verdade e estar com a maquininha falando pela pessoa, que eu acho que as máquinas já dominaram o mundo, como nos filmes de 1980 era previsto que aconteceria em 2000 e pouco.
Sei lá! Vai ver sou antiquada, afinal, estou na beirinha dos quarenta, ou vai ver que não, que só entendo uma mensagem como uma forma de me comunicar com outra pessoa e aplico os mesmos princípios que aplicaria se estivesse diante dela…
(por Paula Jácome – uma pessoa, com direitos autorais e tudo. O texto não nasceu expontaneamente no face não, viu? Nem os filmes nascem na nuvem… Ah! E essa pessoa aqui, AMA a facilidade de ter ao alcance dos dedos todas as outras pessoas da sua vida!)

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