Meu coração se acostumou ficar aberto ao seu lado… E agora, como fecha-lo?
Meu coração se acostumou ficar aberto ao seu lado… E agora, como encontrá-lo?
Como não perceber seus pensamentos, sentir suas energias me percorrendo… Como não compreender seus olhares? Seus sinais? Como não lembrar de cada uma de nossas intimidades?
Como estar perto? Como não me balançar?
Coração não fecha, o caminho de abertura é só de ida. Ele se esconde, se afasta quando se fere… E quanto mais largo, mais pedaço pra cortar.
O coração que se alarga começa apertado, constrito. E a cada segredo, a cada carinho, cada verdade, mais ele se destrança… E vai ficando folgado… Até que descansa do seu lado…
Até que para de pular, de fugir… Escancara.. Coração espaçado requer cuidado.. É delicado…
E não se fecha à fórceps como se espera por aí por esse mundo fast.
Abriu-se, danou-se.
Assim eu entendo os congelados que não se deixam abrir.
Coração alargado se rasga, se desmancha, desintegra… Sente e sofre e doi e sangra.
Mais fácil esconder e não encarar, não viver e experimentar, amar ou moer…
Coração aberto, pra costurar ou remendar, só ficando longe. E, mesmo assim, fica a marca… O retalho de alma fica ali, exposto, visível, tateavel.
Como não me afastar de você, se mesmo depois de tantas costuras, o amor ainda está tão folgado? Já lavei e ventei, mas não encolhe. Tecido bom esse do amor…
Então, pra não escorrer aos teus enlaces, me escondo. Ou, me desfaço…
Só olho ao longe…
Por favor, seja gentil com meus tantos des-pedaços…
(por Paula Jácome)

Comentários

comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *